* Fátima teria de demitir 13 mil servidores para evitar ruína das contas, diz controlador.

O déficit da previdência estadual, que a nova governadora Fátima Bezerra (PT) receberá de presente em 1º de janeiro, dia de sua posse, é uma bomba-relógio prestes a explodir.

Segundo o atual controlador geral do Estado, Alexandre Santos de Azevedo, para adiar por pouco tempo a detonação da bomba, o novo governo teria de demitir imediatamente 13 mil servidores ativos, o que provocaria uma verdadeira batalha jurídica, já que muitos destes encontram-se próximos da aposentadoria.

Mas nem esta atitude extrema resolveria minimamente o problema, na opinião do controlador geral, pois acentuaria o histórico desequilíbrio entre ativos de menos para sustentar os inativos que sobram na folha.

“O RN é o único estado da federação que tem o mesmo número de ativos e inativos, na razão de 52 mil para cada lado”, ele lembra.

Ainda segundo o controlador, para que essa conta fechasse, seriam necessários quatro ativos para sustentar um inativo. “Fora dessa possibilidade, a conta jamais fechará”, ele assegura.

Perguntado pelo Agora RN se o vice-governador não teria exagerado ao afirmar, falando para a 94 FM, que o déficit do Estado já teria chegado aos R$ 2 bilhões por ano, quando o valor corrente é de R$ 1,5 bilhão, Alexandre Santos de Azevedo explicou que a cifra mencionada por Fábio Dantas se refere a uma projeção que pode ser facilmente alcançada ainda no primeiro semestre de 2019.

Essa projeção que, nas palavras do controlador geral, inflarão “cavalarmente” o rombo nas contas do Estado baseia-se na chegada, esperada para breve, de uma reforma da Previdência, proposta abraçada pelo atual presidente Jair Bolsonaro como a prioridade das prioridades.

“Isso fará com que milhares de servidores, com medo do que virá, corram em massa para se aposentar, o que aumentará ainda mais o desiquilíbrio das contas”, lembra.

Hoje, diz ele, há um número muito grande de servidores no chamado “abono de permanência”, ou seja, já têm tempo para se aposentar, mas continuam na ativa.

Em janeiro de 2014, o Tesouro estadual já fazia uma cobertura mensal para a Previdência de R$ 56 milhões todos os meses. Em janeiro de 2015, esse valor passou para R$ 69 milhões/mês; em janeiro de 2016, foi para R$ 121 milhões; em janeiro de 2017, para R$ 137 milhões e, em janeiro deste ano, caiu para R$ 126 milhões/mês.

“Se multiplicar esses R$ 126 milhões por 12 meses, teremos R$ 1,5 bi. Mas a projeção do vice-governador é de que isso aumente com a corrida de servidores pela aposentadoria com a aproximação de uma reforma da Previdência”, reforçou.

Mas os problemas que a futura governadora enfrentará não fica por aqui, diz o controlador. “Como os inativos contribuem a partir do teto do Regime Geral de Previdência, que é R$ 5.645,00, quem se aposentar com um salário menor e não pagará um centavo para a Previdência. E essa turma representa 83% dos servidores.
Aí é bronca grande seu moço!
Agora RN.
Proxima
« Anterior
Anterior
Proxima »