* Número 3 do novo partido de Bolsonaro foi denunciado por pagar propina a desembargador.

Terceiro na hierarquia do novo partido do presidente Jair Bolsonaro , que deve assumir o diretório de Brasília e será o segundo vice-presidente da executiva nacional do Aliança pelo Brasil , o advogado Luís Felipe Belmonte já foi denunciado pelo Ministério Público Federal sob acusação de pagar propina a um ex-desembargador que atuou no Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, em Rondônia.
A denúncia foi apresentada em maio de 2017 pela Procuradoria-Geral da República (PGR), por causa do foro privilegiado do então desembargador, e encaminhada neste ano à Justiça Federal de Rondônia. O Ministério Público Federal (MPF) na primeira instância ratificou os termos da denúncia e pediu o seu recebimento. Ainda não houve decisão sobre abertura da ação penal e, por isso, Belmonte não é réu no caso.

A acusação narra que Belmonte conseguiu liberar indevidamente um pagamento de R$ 107 milhões em um processo trabalhista, referente a um precatório da União. Segundo a PGR, um desembargador do TRT da 14ª Região, Vulmar de Araújo Coelho Junior, havia tomado uma decisão liminar suspendendo o pagamento do precatório, mas reviu a própria decisão e liberou que a União pagasse o precatório.

Desses R$ 107 milhões, a maior parte ficou com o sindicato autor da ação. O escritório de Belmonte, que representava inicialmente o sindicato, ficou com R$ 11 milhões do precatório.

Em seguida, segundo a denúncia, Belmonte usou um laranja para comprar um imóvel do desembargador pelo valor total de R$ 1,2 milhão, sendo R$ 400 mil o valor real do imóvel e R$ 800 mil a propina. Anos depois, ele se tornou sócio da empresa compradora do imóvel. A PGR afirma que, apesar de ele não ter vínculo formal com a empresa no momento da transação, a compra do imóvel foi a título de pagamento de propina por causa da liberação do precatório.

Segundo a PGR, Belmonte “de forma livre e consciente, aceitou a solicitação e prometeu-lhe pagar a quantia de R$ 800 mil para determiná-lo (ao desembargador) a praticar o ato de ofício, quantia esta que seria paga por meio da execução de uma negociação imobiliária dissimulada, ajustada entre ambos, envolvendo a venda de um imóvel”.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro lançou sua futura legenda, Aliança pelo Brasil, em um evento no auditório de um luxuoso hotel de Brasília. No evento, Bolsonaro agradeceu ao empresário Paulo Octávio por ter cedido o espaço. Octávio, que já foi acusado de envolvimento no mensalão do DEM, garantiu que o espaço foi alugado por Luis Felipe Belmonte, que vai assumir o diretório do Aliança no Distrito Federal. Belmonte é suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF).

Na hierarquia da executiva nacional da legenda, ele está abaixo de Bolsonaro, que exercerá o cargo de presidente, e do primeiro vice-presidente, que é o senador Flávio Bolsonaro.
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