* Brasil chega na defensiva para participar da Cúpula ambiental em Madri.

Pela primeira vez em muito tempo, o Brasil chega na defensiva para participar da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a COP-25. Terá que dar explicações sobre o discurso e a prática do setor ambiental no país. 

O evento começa nesta segunda-feira (2) e vai até até o dia 13 de dezembro, em Madri, na Espanha. 

Em posição de destaque em eventos anteriores, o Brasil agora terá que explicar a guinada no setor que resultou no crescimento de 29,5% do desmatamento na Amazônia em um ano. Segundo dados do INPE, de 1º de agosto do ano passado a 31 de julho deste ano, o desmatamento atingiu a marca de 9.762 km². 

Além dos números negativos, o Brasil será cobrado pelo discurso oficial de relativizar a questão ambiental. 

A relativização passou a ser evidenciada desde que o Brasil desistiu de sediar a COP-25, ainda na transição de governo do ano passado, até falas polêmicas do próprio presidente Jair Bolsonaro questionando dados científicos de desmatamento agora confirmados. 

Ao mesmo tempo, o Brasil tentará recursos internacionais para a proteção da Amazônia, num momento em que não apresenta nenhum resultado concreto. E ainda precisará explicar uma contradição: como pedir dinheiro se recentemente recusou o bilionário Fundo Amazônia, que até então recebia aportes de países como a Noruega e Alemanha. 

O Brasil quer uma parcela do financiamento de US$ 100 bilhões anuais da ONU para distribuir em 2020 entre as nações em desenvolvimento que apresentarem políticas climáticas consistentes. 

Ao mesmo tempo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem cobrado recursos do chamado “mercado de carbono”, que é a contabilidade das emissões de CO2 entre os países. 

O país passaria a ter crédito com a redução da emissão de gases do efeito estufa de países que não conseguem atingir as metas. Ao mesmo tempo, empresas mais poluentes podem comprar esses créditos de países com baixa emissão de carbono. Mas para isso, o Brasil precisa fazer o dever de casa. 
Novo Brasil nas cordas seu moço.
 G1
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