Qualquer relacionamento,
principalmente os estáveis e de “longa data”, costuma atravessar alguns
períodos em que a atividade sexual é menos frequente. Uma fase mais morninha —
que para alguns é de “seca” total — pode ser resultado de vários fatores.
A diminuição ou ausência de sexo
em determinadas épocas do casamento é algo natural e costuma estar associada a
momentos críticos da vida, como nascimento de filhos, reforma da casa, estresse
no trabalho, conflitos interpessoais, crise financeira ou afetiva, abuso de
álcool e ou drogas, infidelidade etc.
Porém, não são somente essas
crises que influenciam na intimidade conjugal. Não é raro que, durante um
casamento, as pessoas acabem se acomodando em relação ao sexo e deixem de
transar por meses e até por anos. Isso conduz à questão: por quanto tempo é possível
um casamento funcionar sem sexo?
Relações que atravessam longos
períodos sem sexo são mais frequentes do que se imagina. E, acredite, nem
sempre resultam em separação, o que não impede que a questão seja encarada como
um sinal de alerta e que mereça ser trabalhada.
Por ter a sensação de que o outro
estará sempre lá, no travesseiro ao lado, disponível, há a tendência de deixar
o sexo para depois, pensando que depois haverá um momento mais favorável. E,
aí, o casal começa a postergar esperando o melhor dia, local e/ou hora. Quando
percebem, já se passaram meses sem uma relação sexual.
É muito comum ver casais que
deixam de fazer sexo porque hoje ainda é segunda e amanhã tem que acordar cedo
ou porque hoje é sábado e ficaram fora o dia todo e é melhor deixar para
domingo que estarão descansados. São pensamentos que acontecem tanto em homens
quanto em mulheres e isso começa a distanciar o casal.
Amizade e cumplicidade seguram a situação
Não existe, segundo especialistas, um tempo limite para uma pessoa ou um casal
ficar sem sexo, já que isso depende de vários fatores. Há casais jovens que
ficam quatro ou cinco anos sem sexo e mantêm o casamento, enquanto outros
passam quatro meses sem transar e a relação desmorona. Sempre que falamos de
relações humanas não se pode generalizar, pois cada indivíduo é único
O tempo que um casamento pode ou
não durar sem sexo depende de como cada um lida com essa ausência. Em certos
casos, geralmente o desejo está depositado em um só, ou seja, um no casal quer
sexo e o outro não ou nem tanto. Nessas situações, sustentar um relacionamento
fica complicado. As cobranças e as discussões tornam-se constantes e difíceis
de administrar. Quem sente mais vontade acaba se sentindo rejeitado.
Amizade, cumplicidade, amor,
sonhos em comum, jeitos de pensar semelhantes e confiança são aspectos mais
importantes do que sexo para algumas pessoas e que podem manter um casamento
assexuado.
Ter uma boa convivência fora do
contexto sexual influencia muito a tolerarem à falta de sexo. Muitos casais têm
uma vida conjugal muito boa no quesito vida a dois, filhos, família, trabalho.
O sexo não é o que determinará uma separação.
Não é por isso, entretanto, que a
baixa ou a falta de frequência sexual deve ser subestimada. O sexo é uma
experiência importante para o bem-estar individual e do casal, pois ajuda a
fortalecer a intimidade e o vínculo.
Afastamento emocional é um
risco
Muito tempo sem transar pode afastar o par e é justamente esse afastamento —
não só sexual, mas sobretudo emocional — que provoca uma espécie de “trava”
quando a vontade surge, impedindo a pessoa de expressar ao outro que sente
desejo. Há pessoas que sentem falta de transar, mas não tomam nenhuma atitude.
O que as impede?
A falta de atitude pode expressar
baixa autoestima, autoimagem negativa, dependência financeira ou afetiva. Por
não se sentir suficiente física, intelectual, financeira ou socialmente, a
pessoa se acomoda, encontra meios de se satisfazer sexualmente sozinha e segue
a vida com o cônjuge. A passividade tem o objetivo de manter o status quo da
relação e evitar entrar em contato com os próprios sentimentos de inferioridade
ou incapacidade de gerir a própria vida contando apenas consigo mesmo.
Um longo período sem sexo faz
também com que a pessoa perca contato com a própria sexualidade e sensualidade
e tenha medo de ser julgada pelo par, já que a intimidade, nesse fase, sofreu
um certo abalo.
Quando o sexo começar a diminuir
ou rarear, é preciso que os dois se disponham a conversar abertamente sobre o
que está acontecendo. Pode ser um papo difícil, mas vai ajudar, inclusive, a
motivar o casal a buscar estratégias para o problema ou alguma questão que
esteja afetando a libido.
Por exemplo: se a pouca vontade
de transar tiver a ver com as finanças, o par pode definir um plano para cortar
gastos ou aumentar os ganhos e, conforme o contratempo for sendo solucionado,
ir resgatando a intimidade e a cumplicidade. Mas, se os dois não se sentem
confortáveis para conversar a respeito, o ideal é procurar uma terapia de casal
para ajudá-los a entender o momento pelo qual passa a relação.
O conselho é nunca ignorar o
assunto e fingir que nada está acontecendo. Há casais que decidem viver sem
sexo, mas isso deve ser uma decisão de ambos, não algo empurrado com a barriga
e que não resolve a situação. O ideal é que ocorra um diálogo e não uma
discussão ou briga sobre o assunto para encontrarem juntos uma saída.
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