Uma operação da Polícia Civil da
Bahia prendeu a advogada Poliane França Gomes, conhecida como "Rainha do
Sul", uma das mulheres mais perigosas do tráfico de drogas do
Nordeste. Ela é acusada de atuar como elo entre uma das maiores facções
criminosas da região e o chefe do grupo, que está preso desde 2013.
Segundo a polícia, Poliane usava
a posição de advogada para transmitir ordens, ameaças e orientações
estratégicas da facção. Em mensagens
interceptadas pela investigação, ela ameaça de morte integrantes e
rivais que não cumprissem determinações do grupo.
"Pode avisar que quem não
pagar, vai pagar com a vida", diz em uma das mensagens obtidas pela
reportagem do Fantástico.
O apelido "Rainha do
Sul" era usado pela própria advogada dentro da organização criminosa. No
celular dos integrantes, ela aparecia identificada como "RS adv – Rainha
do Sul advogada" e exigia ser chamada apenas de "RS". O nome é
inspirado na personagem da série mexicana "La Reina del Sur", que
retrata a trajetória de uma narcotraficante que comandava cartéis no México.
As investigações apontam que
Poliane mantinha um relacionamento amoroso com Leandro da Conceição Santos
Fonseca, chefe do Bonde do Maluco, uma das maiores facções criminosas do
Nordeste. Mesmo preso desde 2013, Leandro continuava no comando do grupo, segundo
a polícia, enviando ordens por mensagens de celular.
Leandro, também conhecido por
diversos apelidos no mundo do crime, como Léo Itinga e Shantaram, responde
a mais de 70 processos por tráfico de drogas, homicídio e associação criminosa.
Áudios obtidos pela investigação mostram que ele ordenava a compra e venda de
armas, além do transporte de drogas, especialmente crack, que chamava de
“óleo”.
Em 2024, Leandro passou a cumprir
regime disciplinar diferenciado, em cela isolada no presídio de segurança
máxima da Serrinha, no interior da Bahia, e perdeu o acesso ao celular. Foi
nesse período que Poliane assumiu a defesa dele e, segundo a polícia, os dois
montaram uma estratégia para manter o comando da facção fora da prisão.
A advogada alterou o cadastro de
visitas e passou a constar como companheira de Leandro, com direito a visitas
íntimas e mais tempo com o preso. De acordo com a Polícia Civil, isso facilitou
o repasse de ordens para o lado de fora e o retorno das informações da
quadrilha ao líder preso.
Entre junho e agosto de
2025, Poliane fez 16 visitas ao chefe da facção. A movimentação
chamou a atenção da polícia, que passou a monitorá-la. Ela foi presa em casa,
durante uma operação que também levou à prisão outros 14 integrantes do Bonde
do Maluco, incluindo um dos gerentes do grupo criminoso.
Na casa da advogada, a polícia
encontrou um documento que comprovava a união estável entre ela e Leandro.
Também foram apreendidas cartas escritas à mão com ordens para a quadrilha,
joias avaliadas em mais de R$ 1 milhão, carros de luxo, uma moto aquática, uma
máquina de contar dinheiro e R$ 190 mil em espécie.
A operação também mirou o
braço financeiro da facção. A polícia pediu o bloqueio de 26 contas
bancárias ligadas ao grupo, com potencial de apreensão de mais de R$ 100
milhões, e identificou um haras em Pernambuco usado para lavar dinheiro por
meio da compra e venda de cavalos de alto valor.
Em nota, a defesa de Poliane
negou as acusações e afirmou que "os fatos serão devidamente esclarecidos
no momento oportuno". Os advogados de Leandro da Conceição também negaram
as acusações.
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