O Banco Central (BC) decretou
nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A.
Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, instituição
que integra o conglomerado do Banco Master.
O Will Bank estava operando sob
Regime Especial de Administração Temporária (Raet), mecanismo adotado quando o
Banco Central assume o controle da instituição para tentar evitar o agravamento
da crise e reduzir riscos ao sistema financeiro. O regime foi instaurado após a
liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025.
Em nota, o Banco Central informou
que a decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômica do Will
Bank e pela incapacidade da instituição de honrar suas obrigações financeiras.
Segundo o BC, essa condição decorre do vínculo de interesse com o Banco Master,
caracterizado pelo exercício de poder da instituição já liquidada sobre o Will.
De acordo com apuração do
mercado, o Will Bank permaneceu sob administração temporária na tentativa de
viabilizar a venda da instituição a um novo investidor. As negociações, no
entanto, não foram concluídas, o que contribuiu para o agravamento da situação
financeira.
Nesta terça-feira (20), a
Mastercard anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank
após o não pagamento de compromissos financeiros. Com a perda da possibilidade
de venda e o acúmulo de dívidas, o Banco Central avaliou que a continuidade das
operações se tornou inviável.
A liquidação extrajudicial é um
procedimento administrativo que determina o encerramento das atividades de uma
instituição financeira sem a necessidade de processo judicial, prevendo a
organização do pagamento dos credores conforme a legislação vigente. O Will
Bank reúne cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em
transações correntes com a bandeira.
Caso Banco Master
O Banco Master, controlado por
Daniel Vorcaro, teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em
dezembro de 2025. A instituição enfrentava dificuldades financeiras
relacionadas ao alto custo de captação e à exposição significativa a investimentos
considerados de risco.
Segundo apuração da TV Globo,
Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da
Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última
quarta-feira (14). De acordo com fontes da investigação, ele seria sócio oculto
de Daniel Vorcaro.
Tentativas de venda do Banco
Master, incluindo uma proposta apresentada pelo BRB, não avançaram diante de
questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e citações da
instituição em investigações. O cenário gerou alerta no mercado após o banco
passar a oferecer CDBs com rentabilidades acima do padrão praticado pelo setor.
g1
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