A lei que proíbe cotas raciais em
universidades estaduais de Santa Catarina já enfrenta contestação judicial. Uma
ação popular protocolada na Vara da Fazenda Pública de Florianópolis pede a
suspensão imediata da norma, sancionada pelo governador Jorginho Mello. A
deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) e o presidente do Sebrae, Décio Lima,
assinam a ação e sustentam que o estado não possui competência legal para vetar
políticas de ação afirmativa autorizadas por legislação federal e reconhecidas
como constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo os autores, a norma
estadual representa um retrocesso no combate às desigualdades históricas no
acesso ao ensino superior. Além disso, eles afirmam que a lei viola princípios
constitucionais ao contrariar entendimento já consolidado pelo STF sobre a
validade das cotas raciais no Brasil.
Lei que proíbe cotas raciais e
a alegação de inconstitucionalidade
Na ação, Ana Paula Lima e Décio
Lima argumentam que a lei que proíbe cotas raciais afronta diretamente a Lei
Federal nº 12.711/2012, que instituiu a política de cotas em universidades e
institutos federais. Conforme o pedido, o estado não pode restringir direitos
garantidos por norma federal, especialmente quando o Supremo já declarou a
constitucionalidade dessas políticas.
A deputada afirmou, em publicação
nas redes sociais, que cotas não configuram privilégios. Pelo contrário,
tratam-se de instrumentos de justiça social voltados a enfrentar desigualdades
estruturais e o racismo ainda presente na sociedade brasileira. Décio Lima, por
outro lado, declarou que a medida reforça uma divisão histórica no país e
ignora a necessidade de equidade racial.
Além disso, a ação aponta
possíveis prejuízos financeiros ao próprio estado. Isso porque a lei prevê
multas de R$ 100 mil por edital e o corte de repasses públicos às instituições
que descumprirem a norma. Como resultado, universidades estaduais podem perder
acesso a recursos federais vinculados a programas de inclusão e assistência
estudantil.
Nessa sexta-feira (23), a juíza
Luciana Pelisser Gottardi Trentini concedeu prazo de 72 horas para que o
governo de Santa Catarina se manifeste sobre o caso. Assim, o Judiciário
iniciou a análise formal da constitucionalidade da medida.
Impactos nas universidades e
reação nacional
A nova legislação atinge
diretamente instituições como a Universidade do Estado de Santa Catarina
(Udesc), que reúne cerca de 14 mil alunos em mais de 60 cursos de graduação. No
entanto, universidades federais, como a UFSC, não estão sujeitas à proibição. A
lei admite exceções apenas para critérios econômicos, pessoas com deficiência e
estudantes oriundos da rede pública estadual.
Enquanto isso, o Ministério da
Igualdade Racial reagiu com indignação à sanção da norma. Em nota, a pasta
classificou a medida como inconstitucional e anunciou que acionará a OAB para
avaliar providências jurídicas. Movimentos sociais, como o Movimento Negro
Unificado em Santa Catarina, também criticaram a decisão e alertaram para o
risco de exclusão de estudantes negros do ensino superior.
Por outro lado, o autor do
projeto, deputado Alex Brasil (PL), defende que cotas raciais ferem os
princípios da isonomia e da impessoalidade. Segundo ele, apenas critérios
econômicos e de origem escolar refletem situações reais de desvantagem.
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