Condenada a 39 anos de prisão por
mandar matar os próprios pais, Suzane Magnani, ex-Richthofen, vai disputar na
Justiça uma herança estimada em cerca de R$ 5 milhões deixada pelo tio Miguel
Abdala Netto, médico encontrado morto em casa, em São Paulo. A disputa será
contra Silvia Magnani, prima de primeiro grau do médico e companheira dele por
mais de uma década.
A disputa teve início antes do
enterro. Suzane e Silvia tentaram liberar o corpo de Miguel tanto na 27ª
Delegacia quanto no Instituto Médico Legal (IML), em São Paulo. Silvia
conseguiu a liberação e providenciou o sepultamento. Miguel foi enterrado na terça-feira
(13), no cemitério de Pirassununga, cidade de origem da família. Segundo
Silvia, esse era o desejo dele, que queria ser sepultado ao lado da mãe e dos
avós. O enterro ocorreu sem a presença de outros familiares. “Só estava eu no
cemitério”, disse Silvia, que manteve relacionamento com Miguel por cerca de 14
anos.
Até o momento, apenas Suzane e
Silvia se apresentaram como interessadas diretas na herança. Silvia afirmou:
“Quero que se faça justiça ao Miguel, pois no tempo que passamos juntos ele
falava horrores da Suzane, porque ela matou a irmã dele e deixou o sobrinho
(Andreas von Richthofen, irmão de Suzane) destruído emocionalmente”. Em
seguida, acrescentou: “Se a Justiça entender que a herança deva ficar com ela,
que assim seja feito”.
A situação pode mudar caso Miguel
tenha deixado testamento. Pela legislação, metade do patrimônio pode ser
destinada livremente, enquanto a outra metade é reservada aos herdeiros mais
próximos. Miguel não tinha filhos, pais nem irmãos vivos. Nessa condição, os
sobrinhos têm prioridade sobre os primos na ordem de sucessão. Sem testamento,
a herança ficaria, em tese, com Suzane e Andreas.
Silvia tentou localizar Andreas
no fim de semana, mas não conseguiu. Ele estaria vivendo em endereço incerto no
litoral de São Paulo. Com isso, a disputa ficou restrita às duas mulheres e
deve seguir no Judiciário. Suzane entrou com uma ação pedindo a tutela do
cadáver de Miguel para tentar se tornar inventariante.
Miguel Abdala Netto foi
encontrado morto dentro da própria residência, no bairro Campo Belo, zona sul
de São Paulo, na madrugada de sábado (10). O corpo estava sentado em uma
poltrona no quarto. Um vizinho, João Batista da Silva, estranhou a falta de contato
havia cerca de dois dias, subiu no muro e avistou o corpo. Quando a polícia
chegou, o cadáver estava em avançado estado de decomposição. A Polícia Civil
trata o caso como morte suspeita e aguarda laudos periciais. Uma fonte do IML
informou que a hipótese mais provável é de ataque cardíaco fulminante, em razão
do inchaço do coração e do corpo e da ausência de sinais aparentes de violência
no local.
A disputa também envolve o acesso
à casa onde Miguel morava. Silvia e Suzane procuraram, em momentos diferentes,
o vizinho que está com a chave do imóvel. Segundo relatos, ele informou que
entregará a chave mediante apresentação de ordem judicial. Sobre Suzane, Silvia
afirmou: “A Suzane está pagando pela pena dela, mas nem por isso vai deixar de
ser assassina”. Com informações de Agora RN.
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