O advogado de Fábio Luís Lula da
Silva, o Lulinha,
afirmou ao ministro André
Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que a quebra
de sigilos bancário, fiscal e telemático do filho do presidente Lula foi
"desnecessária" e que ele está disposto a entregar voluntariamente os
documentos requisitados pela investigação.
Em petição protocolada nesta
quarta-feira (26) no inquérito que tramita na corte, o advogado Guilherme
Suguimori Santos diz que seu cliente foi surpreendido por reportagens que
noticiaram que, ainda em janeiro, o ministro teria autorizado as medidas de quebra
de sigilo. Leia a íntegra da mensagem enviada à imprensa abaixo.
"Caso sejam verídicas as
informações, informa que a medida era desnecessária", afirma o defensor no
documento. Segundo ele, desde 19 de janeiro, quando pediu acesso aos autos,
Lulinha já havia manifestado "expressamente sua intenção de prestar
qualquer esclarecimento necessário".
A defesa sustenta que o
empresário sempre teve a intenção de colaborar com a apuração, "de forma a
esclarecer os fatos, dissipar ilações e evitar a desnecessária politização de
seu nome". O advogado afirma ainda que, assim como se colocou à disposição
para prestar depoimento, Lulinha fornecerá voluntariamente à corte os
documentos que forem solicitados.
No pedido, a defesa requer acesso
ao apenso que trata da quebra de sigilo mencionada pela imprensa, bem como a
qualquer outro procedimento relacionado ao empresário, para que possa tomar
ciência do conteúdo e apresentar os documentos que entender pertinentes.
A decisão de Mendonça atendeu a
pedido da Polícia
Federal no contexto da Operação
Sem Desconto, que investiga desvios em aposentadorias do INSS. O magistrado
é relator do inquérito no STF.
Como mostrou a Folha,
a autorização judicial ocorreu antes de a CPI ( Comissão Parlamentar de
Inquérito) mista que apura descontos indevidos em benefícios do INSS aprovar,
também nesta quinta, requerimento para quebrar os sigilos de Lulinha. A sessão
foi marcada
por confronto entre parlamentares,
com troca de acusações entre governistas e oposicionistas.
A investigação apura menções
feitas ao filho do presidente em mensagens interceptadas pela PF. Uma das
linhas de apuração envolve suspeita de que ele teria sido sócio oculto do
lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS —hipótese
que a defesa nega.
Íntegra:
Recebemos hoje a notícia da
quebra de sigilo contra Fábio Luís, tanto pela CPMI, quanto, supostamente, nos
autos do inquérito do Supremo Tribunal Federal.
Estamos absolutamente
tranquilos quanto ao resultado da quebra, pois ele não teve nenhuma
participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime.
No entanto, ressalto que,
desde o início, Fábio expressamente se colocou à disposição do STF, informando
sua intenção de prestar todos os esclarecimentos que a Corte entendesse
necessários. O fornecimento de documentos seria etapa inevitável para esclarecer
fatos, dissipar ilações e evitar a desnecessária politização de seu nome.
Diante das notícias de hoje,
peticionamos ao STF pedindo acesso à suposta quebra de sigilo, informando que
forneceremos voluntariamente ao Tribunal os documentos pertinentes.
Por tudo isso, entendo que a
quebra de sigilo é dispensável, pois não é necessário coagir quem desde o
início demonstrou interesse inequívoco em contribuir.
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