O chamado Sinal de Frank voltou
ao debate público recentemente após associações feitas ao infarto em pessoas
com uma característica específica na orelha. A marca, descrita como um vinco
diagonal no lóbulo da orelha, desperta curiosidade por estar ligada, em alguns
estudos, a maior incidência de doenças cardiovasculares. No entanto,
especialistas destacam que o risco não pode ser avaliado apenas pela presença
desse sulco na orelha.
O que é o Sinal de Frank e por
que chama tanta atenção?
O Sinal de Frank é um vinco
diagonal no lóbulo da orelha, geralmente visível a olho nu, que corre do canal
auditivo em direção à borda inferior do lóbulo. O nome é uma referência ao
médico que descreveu a associação entre essa dobra e a doença arterial coronariana.
Desde então, pesquisas têm investigado se haveria relação entre o vinco e o
risco aumentado de infarto ou obstruções nas artérias do coração.
Apesar das publicações
científicas, o mecanismo exato dessa possível associação ainda não é plenamente
esclarecido. Há hipóteses que relacionam o sulco a alterações degenerativas em
vasos sanguíneos e tecidos elásticos, fenômenos que também ocorrem na circulação
coronariana. Mesmo assim, cardiologistas reforçam que o Sinal de Frank, por si
só, não comprova a presença de cardiopatia, nem substitui exames
específicos.
Sinal de Frank exige sempre
avaliação cardiológica?
A necessidade de investigação
médica após identificar o Sinal de Frank depende de um conjunto de fatores. Em
pessoas com mais de 40 anos, o vinco tende a chamar mais atenção quando está
associado a elementos já conhecidos de risco cardiovascular, como:
- Hipertensão arterial previamente
diagnosticada;
- Diabetes mellitus ou pré-diabetes;
- Colesterol e triglicerídeos elevados em
exames de sangue;
- Obesidade ou sobrepeso importante;
- Tabagismo, atual ou recente;
- Sedentarismo de longa data;
- Histórico familiar de infarto ou morte
súbita em idade precoce.
Além disso, a presença de
sintomas merece atenção imediata. Dor no peito, falta de ar aos esforços,
cansaço desproporcional às atividades do dia a dia, palpitações e inchaço nas
pernas podem indicar necessidade de avaliação cardiológica, independentemente
do Sinal de Frank. Nessa situação, o vinco funciona apenas como mais um
elemento dentro do quadro clínico geral
Quais exames podem ser indicados
após identificar o vinco na orelha?
Quando o Sinal de Frank aparece
em alguém com fatores de risco ou sintomas suspeitos, médicos costumam
recomendar uma avaliação cardiovascular completa. Entre os exames
frequentemente solicitados estão:
- Exames laboratoriais: análise de colesterol
total e frações, triglicerídeos, glicemia e função renal para estimar o
risco global.
- Eletrocardiograma (ECG): registra a
atividade elétrica do coração e pode apontar alterações sugestivas de
isquemia ou arritmias.
- Ecocardiograma: avalia o tamanho das
cavidades cardíacas, a função de bombeamento e o funcionamento das
válvulas.
- Teste ergométrico (teste de esforço):
ajuda a observar o comportamento do coração durante atividade física
controlada.
- Holter de 24 horas: monitora o ritmo
cardíaco ao longo do dia para identificação de arritmias.
- Exames de imagem das artérias coronárias,
como angiotomografia, em casos selecionados.
A escolha dos exames depende do
perfil de cada pessoa, da idade e dos sintomas relatados. Especialistas
ressaltam que a abordagem deve ser individualizada, considerando o Sinal de
Frank apenas como um possível indicativo de que a investigação pode ser necessária,
e não como critério único.

O vinco na orelha em pessoas
jovens tem o mesmo significado?
Em indivíduos jovens, sem queixas
e sem fatores de risco evidentes, o vinco no lóbulo da orelha costuma ter menor
relevância clínica. Em muitos casos, a marca pode estar relacionada a
características anatômicas, envelhecimento precoce da pele ou até ao uso
frequente de brincos pesados, sem ligação direta com o coração.
Como transformar o Sinal de Frank
em um alerta positivo para a saúde?
Mesmo sem ser um diagnóstico, o
Sinal de Frank pode servir como ponto de partida para refletir sobre a saúde do
coração. Quando a pessoa percebe o vinco na orelha, algumas atitudes práticas
podem ser consideradas em consulta com profissionais de saúde:
- Atualizar exames de rotina, principalmente pressão
arterial e perfil lipídico;
- Rever o padrão alimentar, reduzindo excesso de sal,
gorduras saturadas e ultraprocessados;
- Organizar uma rotina de exercícios aeróbicos e de
fortalecimento muscular, conforme orientação;
- Buscar apoio para parar de fumar, quando houver
dependência de nicotina;
- Acompanhar de perto casos de infarto ou derrame na
família, informando esse histórico na consulta;
- Comparecer a avaliações médicas periódicas, mesmo
na ausência de sintomas.
Dessa forma, o Sinal de Frank
deixa de ser apenas um motivo de preocupação nas redes sociais e passa a ser
encarado como uma oportunidade de prevenção. Ao lado de outros marcadores
clínicos e de um estilo de vida mais cuidadoso, essa pequena dobra no lóbulo da
orelha pode ajudar a despertar atenção para o coração em um momento em que a
doença cardiovascular segue entre as principais causas de morte no Brasil.
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