A polícia militar (PM) vai
monitorar, especialmente em dias de grandes eventos, a passarela que liga o
bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte, ao Centro da capital, onde
orgias com mais de 30 homens ocorreram nos dois primeiros dias de Carnaval. O
episódio foi revelado pela Itatiaia, que comunicou o fato à PM.
O primeiro alerta às autoridades
foi feito na madrugada de domingo (15) para segunda-feira (16), durante o
programa ‘Itatiaia é Dona da Noite’. Na segunda-feira (16), o comando da PM foi
novamente alertado pela reportagem e prometeu reforçar a segurança na passarela
do bairro Floresta.
“Até então, a polícia não tinha
conhecimento e, tão logo ficou sabendo, esteve no local e adotou as
providências. Quando a PM chegou ao local, já não havia nenhuma situação de
flagrante delito”, destacou a capitão Edilaine Carvalho, durante entrevista ao
vivo no Jornal da Itatiaia, nesta Quarta-feira de Cinzas (18).
Diante das denúncias, policiais
militares foram vistos no local na noite de segunda-feira (16) de Carnaval.
Conforme apuração da Itatiaia, seis pessoas que estavam no local iniciando os
atos correram ao perceber a chegada dos policiais.
Estarrecedor
A reportagem recebeu as imagens,
que são impublicáveis. Elas mostram vários homens, alguns sem roupas,
praticando sexo oral e mantendo relações sexuais. A Itatiaia apurou que o
episódio mais estarrecedor ocorreu na madrugada de sábado (14) para domingo (15),
quando 35 homens praticavam sexo explícito. Em determinado momento, um idoso,
de cabelos brancos, subiu na passarela e praticou sexo oral em cinco deles,
“Nunca vi nada parecido”, disse uma pessoa que testemunhou a orgia.
“Ali já acontece de tudo. No
Carnaval, nem se fala. Ano passado essa passarela ficou fechada no Carnaval,
porque as pessoas têm até receio de passar. Fui ao Centro certa vez, por volta
de 19h, e deparei com uma pessoa fazendo sexo oral. Assustei, e ele ainda me
encarou. O respeito acabou”, destacou outro morador.
As cenas de sexo explícito
registradas na passarela da rua Januária lembram o episódio conhecido como
“Surubão do Arpoador”, registrado na virada do ano de 2024 para 2025, quando 15
homens foram flagrados fazendo sexo coletivo na Pedra do Arpoador, ponto
turístico na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Manter relações sexuais em
lugares públicos e com plateia é fantasia sexual chamada de dogging, termo que
surgiu na década de 1970, na Inglaterra, inicialmente com o nome de cruising e
restrita a homens gays. O termo dogging engloba todos os adeptos, independentemente
da sexualidade e do gênero. Outra característica do cruising é a prática com
pessoas desconhecidas.
“Dogging é neologismo para
exibicionismo de transar em público. Já cruising, de maneira geral, é pegação
de homens gays”, resumiu o médico e sexólogo Sérgio Almeida.
Crime
O advogado criminalista Luan
Veloso apontou que fazer sexo em via pública é crime que pode resultar em pena
de até 1 ano de detenção ou multa. “Promover orgia na rua é crime, pois a
conduta se enquadra no delito de ato obsceno, previsto no art. 233 do Código
Penal, que pune quem pratica ato obsceno em lugar público, aberto ou exposto ao
público. A pena é de detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa”, disse o
criminalista.
Veloso ressaltou ainda que a
situação pode ser mais grave caso o ato seja praticado perto de menores. “Se o
fato ocorre na presença de criança ou adolescente, a situação pode se tornar
mais grave. Além do ato obsceno, pode haver enquadramento no art. 218-A do
Código Penal, que trata da prática de ato libidinoso na presença de menor de 14
anos para satisfação de lascívia, cuja pena é de reclusão de 2 a 4 anos. Assim,
dependendo das circunstâncias, o caso pode deixar de ser infração de menor
potencial ofensivo e passar a configurar crime mais severo”, concluiu. Rômulo
Ávila/Itatiaia
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