Uma vacina experimental contra o
HIV conseguiu estimular o sistema imunológico de animais com apenas uma dose,
segundo estudo publicado nessa terça-feira (3/2) na revista Nature
Immunology.
O resultado foi observado em
testes com primatas e é considerado um avanço importante em uma área
que, há décadas, tenta avançar no desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o
vírus.
O HIV é conhecido por sua grande capacidade de mutação, o que
dificulta a criação de imunizantes duradouros. Por isso, qualquer
estratégia que consiga gerar resposta imune de forma mais simples chama a
atenção dos cientistas.
Os pesquisadores Centro de
Vacinas e Imunoterapia, Instituto Wistar, dos Estados Unidos, avaliaram uma
vacina experimental chamada WIN332. Diferentemente de outros candidatos que
exigem várias doses ao longo do tempo, esse imunizante foi projetado para ativar
rapidamente células do sistema imunológico responsáveis pela produção de
anticorpos.
No experimento, os cientistas aplicaram uma única dose da
vacina em macacos rhesus. Após cerca de três semanas, os animais
passaram a produzir anticorpos capazes de neutralizar o HIV em testes de
laboratório.
Como a vacina contra HIV age
A WIN332 é baseada em uma
proteína presente na superfície do HIV, chamada Env, que o vírus usa para
entrar nas células humanas. A vacina foi desenhada para “ensinar” o sistema
imunológico a reconhecer uma região específica dessa proteína, conhecida
como Glicano V3.
Essa região é relativamente
parecida entre diferentes variantes do HIV, o que aumenta as chances de os anticorpos produzidos conseguirem agir
contra vários tipos do vírus. Segundo o estudo, a formulação usada
conseguiu ativar esse processo mesmo sem reforços adicionais.
Se uma vacina contra o HIV puder
funcionar com menos doses, isso pode facilitar muito sua aplicação no futuro.
Menos doses significam:
- Campanhas de vacinação mais simples.
- Menor custo.
- Maior adesão da população.
- Mais facilidade de distribuição em países com menos
recursos.
Esses pontos são especialmente
importantes em uma doença que ainda afeta milhões de pessoas no mundo e não tem
vacina aprovada.
Os autores explicam que os
anticorpos produzidos apresentaram atividade neutralizante detectável,
embora ainda considerada baixa a moderada. Mesmo assim, o resultado é
considerado relevante porque vacinas anteriores geralmente não conseguiam esse tipo de
resposta com apenas uma aplicação.
Além disso, os testes mostraram
que os anticorpos atuaram contra versões do vírus mais próximas das
encontradas na vida real, e não apenas contra variantes artificiais de
laboratório.
Quais são os próximos passos
Apesar dos resultados
promissores, os próprios pesquisadores reforçam que o estudo foi feito
apenas em animais. Ainda não é possível afirmar se a mesma resposta
ocorrerá em humanos, nem se ela seria suficiente para prevenir a infecção pelo
HIV.
Segundo os autores novos estudos
serão necessários para testar a segurança da vacina e avaliar se ela pode gerar
uma proteção mais forte e duradoura em pessoas.
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