A Polícia Federal (PF) deflagrou,
na manhã desta quarta-feira (11/2), a terceira fase da Operação Barco de Papel,
que apura esquema de crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de
recursos da Rioprevidência e o Banco Master. Durante as buscas, um dos
investigados jogou uma mala lotada de dinheiro pela janela.
O principal alvo da apuração é o
ex-presidente do fundo Deivis Marcon Antunes, preso desde a semana passada,
suspeito de atuar para direcionar quase R$ 1 bilhão em aplicações irregulares
e, posteriormente, tentar obstruir a coleta de provas.
Nesta etapa, os policiais cumprem
dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, nos
municípios de Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina.
As ordens foram expedidas pela 6ª
Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de ocultação de
provas e interferência nas investigações.
Apreensões
O foco da nova fase é localizar e recuperar bens, valores e objetos retirados
do apartamento vinculado a Deivis, que já havia sido alvo de buscas na primeira
etapa da operação, deflagrada em 23 de janeiro.
Durante o cumprimento de mandado
em Balneário Camboriú, um dos ocupantes do imóvel tentou se desfazer de uma
mala contendo dinheiro em espécie, arremessando o objeto pela janela do
apartamento no momento em que os policiais chegavam ao local. O montante foi
imediatamente recuperado.
Além do dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois celulares, que
passarão por perícia.
A Operação Barco de Papel apura
irregularidades na aquisição de Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master,
instituição que acabou liquidada pelo Banco Central. Entre novembro de 2023 e
julho de 2024, a RioPrevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões nesses
papéis.
Prisão e suspeita de obstrução
Deivis Marcon Antunes foi preso no dia 3 de fevereiro, durante a segunda fase
da operação. Segundo a Polícia Federal, a detenção não se limita às decisões de
investimento, mas principalmente a indícios de que o ex-dirigente tentou
reorganizar patrimônio, remover documentos, apagar registros digitais e
dificultar o acesso a provas após tomar conhecimento de que estava sob
investigação.
Ele foi localizado por equipes da
PF e da Polícia Rodoviária Federal na Via Dutra, no Sul Fluminense, enquanto
seguia para o Rio de Janeiro em um veículo alugado, pouco depois de desembarcar
no Aeroporto Internacional de Guarulhos, vindo dos Estados Unidos.
Para os investigadores, o
deslocamento terrestre é considerado atípico e passou a integrar a linha de
apuração.
O que despertou o alerta
Após a primeira fase da operação, os policiais identificaram a retirada de
documentos físicos de imóveis ligados ao ex-presidente, alterações em dados
armazenados em celulares e computadores, transferência de veículos de alto
valor para terceiros e apagamento de imagens de câmeras de segurança em prédios
relacionados ao investigado.
Esses elementos embasaram os
pedidos de prisão e as novas buscas.
Além de Deivis, dois homens foram
presos em um escritório de advocacia, em Santa Catarina, suspeitos de auxiliar
na logística de retirada e ocultação de materiais.
A raiz do escândalo
O inquérito investiga decisões que autorizaram a aplicação de grandes volumes
do fundo previdenciário fluminense em títulos de alto risco do Master, sem
cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com prazos longos de
vencimento — perfil considerado incompatível com a natureza de um regime
próprio de previdência.
Para a PF, há indícios de que os aportes foram aprovados sem lastro técnico consistente e podem ter beneficiado interesses privados. Metrópoles
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