Um ataque criminoso contra uma
provedora de internet em Japeri-RJ expôs o avanço de facções sobre
serviços básicos nas periferias. A empresa teve a estrutura incendiada após se
recusar a pagar uma “taxa” imposta por integrantes do Comando Vermelho.
A ação, tratada como retaliação
direta, evidencia uma nova frente de atuação do crime organizado: a exploração
de serviços essenciais. Em diversas regiões do país, grupos criminosos já
impõem cobranças ilegais para permitir a operação de internet, gás, transporte
e até segurança privada.
Moradores acabam sendo
diretamente afetados. Sem acesso à internet após o ataque, comunidades ficam
ainda mais isoladas, enquanto empresas enfrentam um dilema: pagar para operar
ou correr o risco de perder tudo. A prática tem sido chamada, informalmente, de
“pedágio digital”.
O fenômeno não se restringe ao
Rio de Janeiro e já é observado em outros estados, como Ceará, Bahia e Pará.
Especialistas apontam que a extorsão recorrente tem se tornado uma fonte de
renda significativa para facções, muitas vezes superando atividades tradicionais
como o tráfico de drogas.
O caso reforça o alerta sobre a
expansão do poder paralelo em áreas onde o Estado tem presença limitada,
ampliando o controle do crime sobre a economia local e o cotidiano da
população.
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