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* Figura histórica da Comunidade de Apanha Peixe em Caraúbas, RN.

 Luxo do Pulso

Francisco Pinheiro de Oliveira, mais conhecido por Canindé de Elza, é um camarada que não guarda moeda nem por milagre. Se  pega num tostão hoje, amanhã já estava investido — e quase sempre no mesmo ramo: bebida. Papudinho assumido, não esconde de ninguém.

Na juventude correu o mundo, morou em Brasília, dizia que conhecia meio mundo de  gente até porteiro de ministério. Gostava de contar vantagem e, acima de tudo, adora um relógio no braço. Para ele, homem sem relógio é como casa sem porta.

Certa vez, o saudoso vereador Otoniel Maia resolveu ajudar Canindé e o levou para uma consulta médica em Mossoró. Vendo a situação dele, o povo se comoveu e começou a doar uns trocados.

— Olhe, Canindé, esse dinheiro é pra você comprar umas camisas, viu?

Ele agradecia, fazia cara séria, prometia que ia se ajeitar.

Passou-se uma semana.

Canindé reapareceu na Santana, cheio de camisas novas — mas todas de políticos e lojas promocionais — e no braço, um relógio novinho em folha.

O povo cercou:

— Canindé, homem, não era pra comprar as camisas?

Ele já meio alto, fez da mão um microfone imaginário, olhou solene para o próprio pulso e declarou:

— Vocês me desculpem… mas meu pulso também necessitava de um luxozinho!

A gargalhada foi geral.

E ali ficou provado que, para Canindé de Elza, camisa podia até esperar… mas o pulso tinha prioridade. Por Geraldo Fernandes

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