“O que leva alguém que aprendeu a
salvar vidas a desistir da sua própria?” Essa talvez seja a primeira pergunta
que surge na nossa cabeça quando ouvimos falar sobre casos como os de três
profissionais da saúde que perderam a vida em sequência no Rio Grande do Norte.
O técnico de enfermagem José Roberto, a enfermeira Nathalia Almeida e o
dentista Rafael Eduardo Ferreira da Costa, partiram deixando familiares,
amigos, colegas de trabalho e uma carreira honrosa na assistência à saúde.
Segundo relatos de pessoas próximas, os casos envolvem quadros de depressão,
uma doença séria, silenciosa e que não pode ser tratada como tabu.
📍A
dor dessas perdas escancara uma realidade que há muito é ignorada, mas que o
Sindsaúde/RN insiste em denunciar: quem cuida também precisa de cuidado.
Estudos apontam que profissionais de saúde apresentam risco aumentado para
sofrimento psíquico e comportamento suicida, especialmente diante de fatores
como sobrecarga de trabalho, jornadas exaustivas, baixos salários, assédio
moral, impacto financeiro, fácil acesso a medicamentos e ambientes marcados por
pressão constante. A pandemia aprofundou esse cenário, mas ele não começou
nela. A precarização das condições de trabalho, a falta de insumos, equipes
reduzidas e o descaso dos governos com a estrutura da rede pública de saúde
seguem produzindo adoecimento.
📣Não
se trata de apontar uma causa única, porque essas tragédias anunciadas são um
fenômeno multicausal. Mas é impossível ignorar que ambientes de trabalho
adoecidos potencializam sofrimentos individuais. Quando faltam políticas
públicas efetivas, equipes completas, condições dignas e acesso contínuo a
tratamento psicológico e psiquiátrico, o discurso de valorização da vida se
torna vazio.
‼A depressão não é fraqueza, falta de Deus ou ingratidão. Procurar ajuda,
infelizmente, ainda é um ato de coragem. E garantir que profissionais da saúde
tenham descanso, apoio emocional, acompanhamento especializado, salários
dignos, direito a lazer e condições dignas de trabalho é responsabilidade do
poder público. Transformar esse debate em prioridade concreta é a única forma
de evitar que novas histórias como essas se repitam.
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