Luiz Phillipi Machado de Moraes
Mourão, o “Sicário” de Vorcaro, morreu nesta quarta-feira (4). Ele estava
internado no Hospital João XXIII, em Minas Gerais, para onde foi levado depois
de ser preso em uma investigação
que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco
Master. Segundo a Polícia Federal, ele se suicidou na prissão.
Uma investigação interna será
aberta pela Polícia Federal para apurar o caso e vídeos que mostram a dinâmica
do que aconteceu serão entregues ao gabinete do ministro André Mendonça,
relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF disse que policiais
iniciaram procedimento de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel
de Urgência (Samu), que encaminhou "Sicário" para o hospital.
(Alerta: esta reportagem trata
de temas como suicídio e saúde mental. Se você está passando por problemas,
veja ao fim do texto onde buscar ajuda.)
As investigações apontam que
Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de
monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações
de intimidação física e moral.
Também foi preso na Operação
Compliance Zero Daniel Vorcaro, banqueiro
apontado como chefe da organização
criminosa estruturada em diferentes núcleos.
Conversas obtidas pela Polícia
Federal mostram o banqueiro Vorcaro mandando
Mourão levantar dados de uma empregada, intimidar funcionários e planejar
agressão ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Entenda
abaixo.
- Monitoramento e intimidação de
funcionários: As mensagens mostram Mourão informando que
monitorava um ex-funcionário e se oferecendo para usar “A Turma” para
intimidar pessoas, incluindo um funcionário que teria feito uma gravação
indesejada envolvendo Vorcaro. Há troca de dados pessoais dos alvos, e
Vorcaro orienta levantar informações sobre um funcionário e um chefe de
cozinha, sugerindo intimidar um deles para assustar o outro. “O bom de dar
sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar", diz um
dos trechos.
- Ameaças contra empregada: Em outro
momento, Vorcaro relata estar sendo ameaçado por uma empregada
e ordena que Mourão obtenha seu endereço e demais dados. “Empregada
Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda", disse
Vorcaro. Mourão pergunta então o que deveria ser feito. Vorcaro responde:
“Puxa endereço tudo".
- Pressão e ameaças a jornalista: Após
reportagens consideradas negativas, há diálogos sobre monitorar o
jornalista Lauro Jardim, do O globo, levantar informações sobre ele e até
atacá-lo fisicamente. Vorcaro
sinaliza que quer "mandar dar um pau" no jornalista e
"Quebrar todos os dentes. Num assalto". Em resposta
às revelações, o jornal O Globo divulgou nota em que afirma repudiar
“veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista
Lauro Jardim” e diz que a ação, conforme apontado na decisão do ministro
André Mendonça.
Decisão do STF sobre quem seria
Mourão, o 'Sicário' — Foto: Reprodução
Decisão do STF reproduz mensagem
em que Vorcaro orienta intimidar funcionário e pessoa ligada a ele. — Foto:
Reprodução
A investigação aponta uma
"dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e
Mourão", e indica que ele atuaria como 'longa manus'
(expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro)
da prática das práticas violentas atribuídas à organização.
O relatório fala, ainda, da
existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de
reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos "serviços ilícitos".
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