No interior do Rio Grande do
Norte, o Pico do Cabugi se destaca na paisagem da caatinga. Localizado no
município de Angicos, às margens da BR-304, o relevo atinge 590 metros de
altura. Pesquisadores apontam que a estrutura preserva características de origem
vulcânica ao longo do tempo.
"Trata-se de uma formação
vulcânica, correspondendo ao neck, passagem por onde sobe o magma de um
vulcão, com rochas formadas há cerca de 25 milhões de anos", explica o
geólogo Marcos Nascimento, professor da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN).
De acordo com o geólogo, as
formações ao redor reforçam a característica vulcânica. "No local, além de
basaltos, que são rochas vulcânicas, na sua porção central, tem ao redor em
relevo a presença de gnaisse e pegmatito, rochas de natureza metamórfica e
ígnea", explica.
O professor Zorano Sérgio de
Souza, também da UFRN, explica que a formação é cônica devido à erosão e ao
desmoronamento das bordas laterais do corpo cilíndrico. "É um vulcanismo
não explosivo, ele não tinha gases como o Vesúvio, por exemplo, e por isso
nunca teve erupção", afirma o geólogo.
De acordo com professor, a não
explosividade do Cabugi se deve ao fato do magma no local ter baixa proporção
de gases e de silício. "O Cabugi não explodiu porque o magma
solidificou-se ainda no interior do edifício vulcânico. Ele representa o 'plug'
ou a 'rolha' de rocha sólida que ficou no conduto que ligava a câmara magmática
à superfície", detalha Souza.
O professor explica também que a
inatividade do Cabugi tem relação com a posição da placa tectônica
Sul-Americana. Como o Brasil está no centro dessa placa e as erupções costumam
ocorrer nas brodas, não há vulcões ativos no país.
Parque Ecológico Cabugi protege
formação rara, valor científico e cultural
O Pico do Cabugi faz parte do
Parque Ecológico Cabugi, criado em 1988. A área tem 625 hectares, com uma zona
de proteção maior ao redor. O geógrafo Ilton Soares, do Instituto de
Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN),
afirma que o parque protege a formação geológica e a vegetação da caatinga. O
espaço também permite turismo controlado e pesquisas científicas.
De acordo com o geógrafo, a
erosão também atuou ao longo do tempo e contribuiu para moldar o relevo atual.
"Esse processo resultou em uma formação considerada rara no Brasil. Esta é
uma das grandes características de unidade, o que torna aquele local
exuberante. É um monumento geológico de uma quase exclusividade”, afirma
Soares.
Criado pela Lei nº 5.823/1988, o
Parque Ecológico Cabugi é uma unidade de proteção integral, que visa à
preservação do ambiente e coibe possíveis danos àquela região. As atividades
desenvolvidas no parque têm que ser responsáveis, a exemplo do turismo, e cabe
ao Idema, com o apoio de órgãos como a Polícia Ambiental, fazer vistorias para
garantir a preservação. As pesquisas científicas também são aprovadas pelo
instituto.
De acordo com a direção do
parque, além da importância científica, o local tem valor cultural. O nome
Cabugi vem do tupi-guarani e significa “peito de moça”, por causa do formato do
relevo. No passado, o pico também foi chamado de Serra de Itaretama, que
significa “serra de muitas pedras”. As informações são do Grande Ponto.
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