Um delegado da Polícia Federal
(PF) foi detido após ser flagrado tentando furtar um produto de luxo em um
supermercado dentro de um shopping no Recife (PE). O caso ganhou repercussão
não apenas pelo episódio em si, mas também pelo histórico do investigado.
Erick Ferreira Blatt (foto em
destaque), de 50 anos, foi conduzido à Delegacia de Boa Viagem após ser
abordado por seguranças do estabelecimento. O caso ocorreu na quarta-feira (8),
no Shopping RioMar, no bairro do Pina.
Imagens de segurança mostram o
momento em que o delegado pega um vidro de carpaccio de trufas negras, produto
que custa cerca de R$ 300, e o coloca no carrinho.
Minutos depois, ele se senta na
área da padaria e, enquanto mexe no celular, esconde o item no bolso da
bermuda.
Na sequência, Blatt passa pelo
caixa, paga por outros produtos e deixa o local sem incluir o carpaccio na
compra.
Ele é abordado por um segurança
já no corredor do shopping e levado de volta ao supermercado. Ao retornar,
retira o produto do bolso e o entrega ao funcionário.
Investigação
A ocorrência foi registrada como
furto em estabelecimento comercial. O delegado prestou depoimento e um
inquérito foi instaurado.
Além da investigação criminal,
ele também passou a responder a um procedimento disciplinar aberto pela
Corregedoria da Polícia Federal.
“Em relação aos fatos noticiados,
a Polícia Federal informa que, ao tomar conhecimento da ocorrência, instaurou,
na última quinta-feira (9/4), procedimento disciplinar, no âmbito da
Superintendência Regional da PF em Pernambuco”, informou a corporação.
Quem é o delegado
Erick Blatt é delegado da Polícia
Federal e já ocupou cargo de direção na Associação Nacional dos Delegados de
Polícia Federal (ADPF), no Rio de Janeiro.
Ele também atuou em um caso
envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em 2020, foi o responsável por
conduzir um inquérito que apurava suspeitas de falsidade ideológica eleitoral
nas declarações de bens do parlamentar, investigação que acabou arquivada.
Blatt já mantinha relação com a
família Bolsonaro. Em 2016, chegou a buscar apoio do então deputado Jair
Bolsonaro para pautas da categoria e chegou a posar ao lado dele no Congresso.
Na época do arquivamento do caso,
Flávio Bolsonaro chegou a elogiar a condução da investigação, afirmando que o
resultado demonstrava isenção.
O delegado também já foi alvo de
questionamentos internos na ADPF.
Segundo o jornal O Globo, uma
representação apontou que ele teria autorizado o pagamento de R$ 34,2 mil à
então namorada para fornecimento de cestas de café da manhã a associados, o
que, segundo críticos, contrariaria regras da entidade.
O caso gerou debate entre membros
da associação sobre possível conflito de interesses e uso de recursos.
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