Com uma eleição presidencial à
vista, o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) implementou e
expandiu um conjunto de medidas econômicas e sociais visando fortalecer o poder
de compra da população e estimular a atividade econômica. Iniciativas que
começaram a valer a partir de janeiro e foram impulsionadas ao longo de 2025,
com impacto direto previsto para 2026, buscam aliviar o bolso dos brasileiros,
especialmente em um cenário de alta dos preços dos combustíveis, influenciado
por conflitos internacionais. No entanto, essas ações acendem um alerta entre
economistas, que preveem pressão sobre a inflação e dificuldades para a redução
das taxas de juros pelo Banco Central.
Parte significativa dessas
políticas representa um alívio direto para milhões de famílias brasileiras. A
elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e
a redução da alíquota para salários de até R$ 7.350, em vigor desde janeiro,
devem resultar na não arrecadação de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões,
beneficiando cerca de 15 milhões de pessoas, conforme projeções de instituições
financeiras como BTG Pactual e ARX Investimentos. O Ministério da Fazenda,
contudo, não dispõe de uma projeção atualizada do impacto.
Além da desoneração do IR, os
programas Gás do Povo, que distribui botijões, e Luz do Povo, que concede
descontos na conta de energia, prometem injetar R$ 15,5 bilhões no orçamento de
famílias de baixa renda em 2026, um aumento de R$ 3,6 bilhões em relação a
2025. O Gás do Povo, por exemplo, expandiu o número de famílias atendidas de
4,5 milhões para 15 milhões em 2026, garantindo recargas de 4 a 6 botijões por
ano. Já o Luz do Povo, que oferece gratuidade ou descontos na energia, deve
alcançar 20,9 milhões de residências em 2026.
Para além do alívio direto, o
governo também focou em estimular o acesso a crédito mais barato. O Crédito do
Trabalhador, modalidade consignada lançada em março de 2025, permite que
trabalhadores formais usem até 10% do FGTS como garantia, reduzindo os juros.
Até 16 de março de 2026, R$ 26 bilhões em novos empréstimos já haviam sido
concedidos, e a projeção é de R$ 134 bilhões em novas operações para todo o ano
de 2026.
“A estratégia do governo para
maximizar o dividendo político-eleitoral é atuar em várias frentes. Então, tem
de benefícios sociais até medidas que vão manter a economia aquecida, como a
expansão do crédito”, afirma o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel
Leal de Barros. Essa movimentação ocorre em um período de desaceleração
econômica, com previsões de expansão do PIB de 1,8% em 2026, abaixo dos anos
anteriores.
O programa Minha Casa Minha Vida
(MCMV), com alta aprovação popular, também está em expansão. Com um orçamento
recorde de R$ 180 bilhões em 2025 e projeção de crescimento em 2026, a meta é
contratar 3 milhões de unidades até o final de 2026. Na semana passada, o
governo anunciou a ampliação das faixas de renda e do valor máximo dos imóveis
financiáveis, elevando o potencial de beneficiários. Novas políticas no setor
habitacional, como a faixa 4 do MCMV, criada em março de 2025, e o programa
Reforma Casa Brasil, devem movimentar R$ 46 bilhões em 2026.
Outras medidas indiretas, como a
forte expansão dos empréstimos do BNDES, que somaram R$ 169,7 bilhões em 2025 e
podem ultrapassar R$ 200 bilhões em 2026, também contribuem para aquecer a
economia, gerar empregos e renda. O Palácio do Planalto não se manifestou sobre
as críticas de que as medidas têm viés eleitoral, defendendo que visam melhorar
a vida dos trabalhadores.
No entanto, o outro lado dessa
política de expansão é a pressão sobre a inflação e os juros. A taxa Selic,
referência para os juros no país, subiu de 10,50% ao ano em julho de 2024 para
15% ao ano em junho de 2025, patamar recorde desde 2006, sofrendo um pequeno
corte para 14,75% ao ano em março de 2026. Economistas como Samuel Pessoal (FGV
e BTG Pactual) alertam para o impacto na dívida pública, que cresceu de 71,7%
do PIB em dezembro de 2022 para 78,7% do PIB em janeiro de 2026. O aumento do
consumo em uma economia já operando a pleno emprego pode gerar pressão
inflacionária, exigindo juros mais altos.
A guerra envolvendo Estados Unidos e Irã também pressiona os preços do petróleo e do gás, elevando o custo do barril e, consequentemente, o diesel e o gás de cozinha. O governo já adotou medidas para subsidiar o preço do diesel, com custo de R$ 30 bilhões a serem compensados por um novo imposto sobre a exportação de petróleo, buscando evitar uma crise como a greve dos caminhoneiros de 2018.
Enquanto expande algumas áreas, o
governo mantém estáveis outros programas. O Bolsa Família, que teve grande
expansão e manteve o valor de ao menos R$ 600 por família após a eleição de
Lula, teve seu valor total transferido reduzido de R$ 170 bilhões em 2024 para
R$ 160 bilhões em 2025, mantido em 2026. O programa Pé de Meia, criado em 2024
com orçamento de R$ 12 bilhões para estudantes do Ensino Médio, não tem
previsão de universalização para 2026 devido a restrições orçamentárias,
segundo o Ministério da Educação.
Lula neles.
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