A condução da pré-campanha
presidencial do senador Flávio Bolsonaro vem provocando tensão crescente dentro
do PL. O principal alvo das críticas internas é o senador Rogério Marinho,
coordenador-geral da campanha, acusado por aliados de centralizar decisões e
ampliar os ruídos políticos após a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro,
controlador do Banco Master.
Reportagens da Veja, do Valor
Econômico e do UOL mostram que a insatisfação alcançou parlamentares e
integrantes da cúpula do partido. Nos bastidores, Marinho passou a ser chamado
de “CEO da campanha”, numa referência ao estilo considerado centralizador por
aliados do pré-candidato.
Escolhido para coordenar a
pré-campanha presidencial, Rogério Marinho passou a enfrentar resistência de
setores do partido - Foto: Carlos Moura / Senado
As críticas se intensificaram
após mudanças anunciadas na estrutura de comunicação da campanha. Na
segunda-feira 25, a coordenação divulgou a substituição do publicitário
Marcello Lopes pelo jornalista Alexandre Oltramari no comando da comunicação e
do marketing político. Ao mesmo tempo, foi anunciada a entrada do empresário e
publicitário Eduardo Fischer como “consultor estratégico da comunicação”,
responsável pela definição das diretrizes e do posicionamento da campanha.
A escolha de Fischer gerou
desconforto entre aliados de Flávio Bolsonaro, principalmente pela avaliação de
que ele teria pouca experiência em campanhas eleitorais recentes. Ex-sócio de
Roberto Justus na agência Fischer & Justus, Fischer ficou conhecido por
campanhas publicitárias no mercado cervejeiro e atuou na campanha presidencial
do ex-senador paranaense Álvaro Dias em 2018, quando o então candidato terminou
a disputa em 9º lugar.
Segundo relatos publicados pelo
Valor Econômico, integrantes do partido avaliam que um profissional de
marketing político precisa “entender de política” para conduzir uma campanha
presidencial. Parte das críticas também mira o fato de Rogério Marinho interferir
em áreas consideradas fora de sua atribuição, como gestão de crise,
comunicação, marketing, assessoria de imprensa, agenda do candidato e até temas
jurídicos.
Apesar das críticas, aliados
reconhecem a capacidade de articulação política do senador potiguar,
especialmente na negociação de alianças regionais e montagem de palanques
estaduais. O problema, segundo interlocutores ouvidos pelas reportagens,
estaria na forma como a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vem
sendo administrada.
Nos bastidores do PL, a avaliação
é de que o senador reagiu de maneira errática desde a divulgação do áudio em
que aparece tratando de um pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar
o filme “Dark Horse”, produção ligada à trajetória política do ex-presidente
Jair Bolsonaro. As explicações dadas por Flávio foram consideradas fragmentadas
e insuficientes até por aliados.
Inicialmente, o senador afirmou
não ter contato com Vorcaro. Depois, surgiram gravações indicando que ele teria
omitido informações sobre recursos ligados ao banqueiro. Mais tarde, Flávio
admitiu que esteve na casa do empresário após a operação da Polícia Federal
realizada contra o Banco Master em novembro de 2025.
A crise também resultou na saída
de Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”, amigo próximo da família
Bolsonaro e homem de confiança do grupo político há anos. Segundo integrantes
da campanha ouvidos pelo UOL, Lopes divergiu de Rogério Marinho sobre a estratégia
adotada para lidar com a repercussão do caso Dark Horse, o que contribuiu para
seu desligamento.
A saída do marqueteiro provocou
reações dentro do bolsonarismo. O advogado e empresário Fabio Wajngarten
manifestou apoio público a Marcello Lopes nas redes sociais, afirmando que ele
foi alvo de “ataques covardes” e de uma operação de desgaste dentro da própria
campanha.
Outro movimento que ampliou a
tensão interna foi a mudança de função do assessor de imprensa Rodrigo Saccone,
considerado homem de confiança de Rogério Marinho. Após o anúncio das
alterações, ele deixou a assessoria direta da campanha e passou a atuar ligado
à coordenação-geral.
Além das divergências sobre
comunicação, parlamentares do PL também reclamam da dificuldade de acesso a
Flávio Bolsonaro e da falta de informações prévias sobre compromissos do
pré-candidato. Deputados e senadores que dependem do apoio político do filho de
Jair Bolsonaro afirmam que agendas e decisões têm sido concentradas em um
núcleo reduzido.
As queixas já chegaram ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Entre integrantes da legenda, há avaliação de que o endurecimento da coordenação ocorre justamente num momento em que Flávio tenta construir uma imagem mais moderada e ampliar pontes políticas para além do núcleo bolsonarista tradicional.
Procurados pelas reportagens, Rogério Marinho, Eduardo Fischer, Alexandre Oltramari e integrantes da coordenação da campanha não comentaram o assunto. Agora RN
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