O governo federal lança,
neste domingo (3/5), a campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6
x 1, sem redução de salário. O projeto foi apresentado pelo governo Lula ao Congresso no
mês passado. Segundo o Poder Executivo federal, o objetivo central da proposta
é “garantir mais tempo para a vida além do trabalho, tempo com a família, para
o lazer, para a cultura e para o descanso”.
A estimativa é que ao menos 37
milhões de pessoas sejam diretamente beneficiadas com a redução da jornada, sem
que haja mudança na remuneração. Se aprovada, o fim da escala 6 x 1 terá
impacto para maior quantidade de brasileiros que a mais recente proposta
liderada pelo governo Lula, que foi a isenção do Imposto de Renda para
quem ganha até R$ 5 mil/mês, que beneficiou cerca de 10 milhões de pessoas.
A estimativa é que ao menos 37
milhões de pessoas sejam diretamente beneficiadas com a redução da jornada, sem
que haja mudança na remuneração. Se aprovada, o fim da escala 6 x 1 terá
impacto para maior quantidade de brasileiros que a mais recente proposta
liderada pelo governo Lula, que foi a isenção do Imposto de Renda para
quem ganha até R$ 5 mil/mês, que beneficiou cerca de 10 milhões de pessoas.
“A garantia do descanso ainda tem
potencial impacto positivo sobre a economia, estando alinhada com uma visão
moderna de desenvolvimento, que combina produtividade, bem-estar e inclusão
social”, diz o governo federal.
A proposta estabelece novo limite
de jornada em 40 horas semanais e mantém as 8 horas diárias de trabalho (inclusive
para trabalhadores em escalas especiais). Serão assegurados dois dias de
repouso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos sábados e
domingos. Assim, a escala de seis dias trabalhados por um dia de descanso seria
substituída pela de 5 x 2.
A campanha lançada neste domingo
destaca: “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um
benefício. É um direito”. O vídeo e demais instrumentos de comunicação serão
veiculados em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e na
imprensa internacional.
O governo Lula defende
que o fim da escala 6 x 1 “dialoga com transformações recentes na
economia, como o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade”. “Jornadas
mais equilibradas tendem a reduzir afastamentos, melhorar o desempenho e
diminuir a rotatividade”, ressaltou.
O projeto assinado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 13 de abril estabelece uma nova
referência para o mercado de trabalho brasileiro, com impacto
direto sobre milhões de trabalhadores, e promove ajustes na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) e em legislações específicas para assegurar
a aplicação uniforme das novas regras.
Dos 50,2 milhões de trabalhadores
celetistas no Brasil, 37,2 milhões fazem jornada de 44 horas semanais, 26,3
milhões não recebem horas extras remuneradas, 14,8 milhões fazem escala 6 x 1 e
1,4 milhão de domésticas fazem escala 6 x 1, de acordo com informações do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Sebrae referente aos anos de 2026 e
2024, respectivamente.
Um dos argumentos do governo
federal para defender a proposta é o adoecimento de trabalhadores por
doenças psicossociais relacionadas ao trabalho, que chegou a 500 mil.
“As jornadas mais extensas estão
concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, o que faz
da proposta também uma medida de redução de desigualdades no mercado de
trabalho”, destacou.
O governo Lula enfatizou, também,
que o projeto aproxima o Brasil de um movimento já em curso em diversos países,
como o Chile, que aprovou a redução gradual da jornada de 45 para
40 horas semanais até 2029. A Colômbia está em transição de 48
para 42 horas até o fim de 2026. E, na Europa, a jornada de 40
horas ou menos já é adotada há anos: na França, os trabalhadores
fazem 35 horas semanais desde 2000; e países como Alemanha e Holanda operam,
na prática, com médias inferiores a 40 horas.
O Poder Executivo destacou que
países como Islândia, Reino Unido, Portugal, Nova Zelândia e Japão testaram
a redução da escala e registraram:
- Queda consistente de burnout;
- Redução de estresse e ansiedade;
- Melhoria na saúde mental e física;
- Mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho;
- Aumento da satisfação com o emprego.
Setor produtivo
Em relação aos patrões, o governo
federal destacou que países como Reino Unido, Portugal e Islândia apresentaram
resultados como produtividade mantida ou aumentada, receitas que permaneceram
estáveis ou cresceram. “Além disso, a rotatividade de funcionários caiu e a
maioria das empresas optou por manter o novo regime. Os resultados da pesquisa
foram publicados no Journal of Economy and Society, no ano de 2022”, apontou.
Segundo uma pesquisa do Sebrae,
realizada entre 19 de fevereiro e 6 de março de 2026, 91% dos micro e pequenos
empresários dizem já conhecer a proposta e 46% afirmaram que as alterações não
impactam o negócio.
O governo Lula disse que os
custos da eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam
similares aos impactos observados em reajustes históricos do salário-mínimo no
Brasil, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de
trabalho.
“A conclusão é de uma nota
técnica publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em
fevereiro deste ano”, apontou.
“Considerando os grandes setores,
como indústria e comércio, nos quais estão mais de 13 milhões de trabalhadores,
o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do
custo operacional”, disse. De acordo com o Poder Executivo, os resultados
indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver
aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção
específica.
O que a medida mudaria:
- Jornada semanal: limite passa de 44 para 40 horas
- Descanso ampliado: ao menos dois dias de repouso semanal remunerado
- Novo padrão: consolidação do modelo 5×2 e redução das horas trabalhadas
- Salário protegido: vedada qualquer redução salarial
- Abrangência ampla: inclui domésticos, comerciários, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais.
- Aplicação geral: limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados
- Flexibilidade: mantém escalas como 12hx36h por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana.
Registe-se aqui com seu e-mail
.png)


ConversãoConversão EmoticonEmoticon