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* Produtora de longa sobre Bolsonaro nunca fez nenhum filme.

A Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse” — longa-metragem sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL) —, nunca lançou nenhuma obra no Brasil ou no exterior. A informação é da Agência Nacional de Cinema (Ancine). A empresa pertence à jornalista Karina Ferreira da Gama, que ingressou no projeto por meio do deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista do filme.

Além da Go Up, o jornal O Globo identificou outras duas empresas ligadas a Karina no sistema da Ancine: a Go7 Assessoria e o Instituto Conhecer Brasil. Nenhuma delas possui registro de lançamentos no cinema ou na TV (aberta ou fechada). Os dados ampliam os questionamentos sobre a estrutura montada para a produção, que virou centro de uma crise política após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitir ter captado R$ 61 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Orçamento e criação

Segundo a Ancine, a Go Up está regularizada e teve seu registro confirmado em 9 de julho de 2025, embora ainda não tenha registrado “Dark Horse” na agência. Na Junta Comercial de São Paulo, a empresa passou por alterações em seu objeto social e atividades econômicas em junho de 2025.

Karina nega que a produtora tenha sido criada especificamente para a biografia de Bolsonaro. Contudo, ela reconhece que os recursos para o longa começaram a ingressar em março de 2025, vindos de um fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto, no Texas (EUA).

A produtora afirma que as fases de produção e pós-produção já custaram US$ 13 milhões (cerca de R$ 65,7 milhões). O montante chama a atenção por superar o orçamento de grandes produções brasileiras recentes, tais como:

  • “Ainda Estou Aqui”: R$ 45 milhões
  • “O Agente Secreto”: R$ 28 milhões

De acordo com a proprietária, o orçamento original era ainda mais robusto. “A gente cortou muitas cenas, teve que economizar e o Cyrus [Cyrus Nowrasteh, diretor americano do filme] reajustou as cenas pra gente conseguir”, explicou.

Elenco de Hollywood e situação das empresas

“Dark Horse” traz no papel principal o ator estadunidense Jim Caviezel, apoiador do ex-presidente Donald Trump. O elenco também conta com Esai Morales, conhecido por sua atuação em “Missão: Impossível – O Acerto Final”.

Karina declarou que não participou diretamente da captação de recursos e que desconhece a identidade de outros investidores além de Daniel Vorcaro. Ela também mencionou que tentou tirar outros projetos do papel por meio da Go7, sem sucesso, justificando a dificuldade de inserção no mercado:

“Me qualifiquei nas regras da Ancine, me qualifiquei tudo certinho, como todo produtor tem que fazer. Mas eu sou uma produtora muito pequena. As grandes empresas não olham pros pequenos, elas querem trabalhar com as produtoras grandes.”

Atualmente, tanto a Go7 quanto o Instituto Conhecer Brasil estão com seus registros suspensos na Ancine desde janeiro de 2026 por falta de renovação. A Go Up permanece regular.

Desdobramentos jurídicos e políticos

A repercussão do longa já chegou aos tribunais. Aliados do presidente Lula acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em uma tentativa de impedir a estreia do filme antes das próximas eleições. Paralelamente, o ministro Flávio Dino abriu uma apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o repasse de emendas parlamentares a entidades ligadas a Karina.

Pilantragem medonha.

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