Durante discurso nesta terça (2),
o presidente Lula detonou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão, Eduardo, ao
reagir à conclusão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos
Estados Unidos (USTR), que propõe a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos
brasileiros. Ao comentar o tema, o petista citou declarações de filhos do
ex-presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas adotadas pelo governo
de Donald Trump e chamou o senador de “imbecil”.
“O dia que ele taxou, eu vou
dizer o que fizeram os meninos do Bolsonaro. Os meninos do Bolsonaro, um deles,
que é candidato à presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, no dia que o
Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele twittou: ‘Obrigado, Trump. Faça o
Brasil livre de novo. Queremos a Magnitsky’”, afirmou o presidente.
Em seguida, ele zombou do
encontro de Flávio com Trump na Casa Branca na última semana e afirmou que ele
tirou uma “foto de campanha”.
“Esses filhos do Bolsonaro
conseguem ser pior do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram
pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras.
São traidores. O que merece os traidores da pátria que vão pedir intervenção de
um país no nosso país? Pensem, meditem”, prosseguiu.
O petista ainda chamou Flávio de
“imbecil” e afirmou: “Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai
prejudicar é o povo brasileiro”.
O relatório do USTR aponta seis
áreas consideradas problemáticas pelos Estados Unidos: comércio digital,
serviços de pagamento eletrônico, acordos tarifários, desmatamento, propriedade
intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate à corrupção.
O documento conclui que algumas
políticas brasileiras seriam “irracionais ou discriminatórias” e poderiam
justificar medidas comerciais com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Entre os principais alvos da
investigação está o Pix. Segundo o relatório, o sistema brasileiro de
pagamentos criaria vantagens competitivas em relação a empresas privadas
estrangeiras do setor.
“É injusto exigir que
concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e
limites de taxas”, afirma um trecho do documento. O texto reconhece, porém, a
ampla adoção do sistema e sua contribuição para a redução de custos e ampliação
da inclusão financeira.
A investigação comercial foi
aberta em julho de 2025 por determinação de Trump. O prazo legal para a decisão
final termina em 15 de julho deste ano. Antes da divulgação do relatório,
representantes dos dois governos mantinham negociações por meio de um grupo
bilateral criado após encontro entre Lula e o republicano em maio, mas as
conversas não avançaram o suficiente para encerrar o impasse.
A proposta também prevê uma ampla
lista de exceções à tarifa de 25%. Entre os produtos que ficariam fora da
cobrança estão café, frutas, cereais, sementes, fertilizantes, medicamentos,
produtos químicos, minerais, aeronaves fabricadas no Brasil e peças do setor
aeronáutico. A proposta ainda passará por audiências públicas antes de eventual
decisão final do governo dos Estados Unidos.
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