O candidato ao Governo do Rio
Grande do Norte Allyson Bezerra (União) acusou o adversário Álvaro Dias (PL) de
agir como um “coronel” e de tentar “amordaçá-lo” às vésperas do início oficial
da campanha eleitoral. Em dois vídeos publicados no Instagram nesta terça-feira
28, Allyson acusou Álvaro de ligação direta com uma ação protocolada pelo
Partido Novo que pede a derrubada de seu perfil na rede social.
A ação citada por Allyson não é
movida diretamente por Álvaro Dias ou por seu partido, o PL. No entanto, o
Novo, que assina a representação, integra a mesma coligação. Além disso, o
escritório do advogado Erick Pereira, que formulou a petição inicial, também
trabalha para Álvaro Dias.
Nas gravações, Allyson
classificou o processo como “arbitrário” e “bizarro”, afirmou que o candidato
do PL pretende calá-lo e disparou uma série de críticas pessoais e políticas
contra Álvaro, a quem chamou de “truculento”, “mesquinho” e “antidemocrata”.
“Urgente, meu povo, porque estão
querendo me calar”, anunciou Allyson no início do primeiro vídeo. Ao citar
Álvaro diretamente, disparou: “Uma vergonha para você, que usou um partido seu,
usou o seu advogado para entrar contra mim num processo como esse, totalmente
arbitrário e agindo como coronel, de quem está querendo mandar acima de tudo”.
O Novo pediu ao Tribunal Regional
Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) que determine a retirada do ar do
perfil oficial de Allyson no Instagram até 15 de agosto, véspera do início
oficial da campanha eleitoral. Alternativamente, a legenda requer que sejam
excluídas, no prazo de 24 horas, 16 publicações relacionadas ao evento político
realizado no domingo 26, no Palácio dos Esportes, em Natal.
A representação sustenta que
houve propaganda eleitoral antecipada e acusa Allyson de ter promovido dois
eventos para oficializar uma mesma candidatura, além de supostamente se
beneficiar de uma rede coordenada de páginas nas redes sociais.
Ao responder à ofensiva judicial,
Allyson afirmou que o processo teria sido motivado pela repercussão alcançada
pelas publicações sobre o evento. “Ele viu a quantidade de engajamento, de
publicações, de visualizações, e está pedindo a retirada do meu perfil do ar
até o dia 15 de agosto deste ano. É isso mesmo. Ele quer que o meu perfil deixe
de existir”, declarou. Na sequência, reforçou a acusação em frases curtas: “Ele
quer me calar. Ele quer me amordaçar”.
O candidato do União também
associou a ação a uma tentativa de impedir a divulgação de suas viagens pelo
interior do Estado — dentro do projeto 167 Razões, que tem visitado todos os
municípios potiguares — e das manifestações de apoio recebidas durante as
agendas.
“Ele (Álvaro) quer que eu pare de
ir às cidades, mostrar as cidades. Ele quer também que as pessoas parem de
aparecer na minha rede social. Ele quer também que as pessoas parem de declarar
que estão me apoiando. Ele quer também que eu pare de fazer qualquer tipo de
postagem”, afirmou.
Histórico de Álvaro
Ao longo dos vídeos, Allyson
elevou o tom e partiu para ataques diretos ao perfil político e pessoal de
Álvaro. “Candidato, você é conhecido por ser um truculento. Você é conhecido
por ser um cara que age como um coronel, bate na mesa, humilha as pessoas”,
disse. Em seguida, acrescentou que o adversário seria conhecido por
“constranger” pessoas próximas e “humilhar algumas lideranças políticas”. “Você
é conhecido pela forma mais mesquinha e nojenta de fazer política. Você
representa o atraso da política do nosso Estado”, disparou.
“O candidato das obras
inacabadas, o candidato que acabou com Ponta Negra, o candidato que entregou um
hospital há quase dois anos e nunca funcionou de verdade, o candidato que deu
um calote nos artistas de Natal entrou com ação na Justiça contra mim para
retirar o meu perfil do Instagram do ar”, afirmou.
“Você está chateado porque viu
que, na nossa convenção, no nosso grande evento, tinha gente feliz, alegre, que
estava lá de forma espontânea. Ninguém foi pago, coagido ou obrigado a estar
lá, não, candidato. As pessoas estavam lá porque quiseram estar”, declarou.
Para Allyson, a iniciativa
judicial seria consequência do impacto político da convenção e de sua posição
nas pesquisas eleitorais. “Você sabe de tudo isso e bateu o desespero. Bateu o
desespero porque você não consegue sair do mesmo número nas pesquisas há meses.
Você não consegue crescer”, provocou.
O candidato acrescentou que já
percorreu 140 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte e afirmou estar sendo
bem recebido em todos eles. Segundo ele, os conteúdos publicados em suas redes
sociais mostram propostas apresentadas para diferentes áreas e regiões do
Estado. “Já tem mais de 90 vídeos de cidades por onde passei e que visitei. Em
cada cidade tem ideia, tem proposta”, declarou, ao citar sugestões relacionadas
ao turismo de praia e serrano, à mobilidade, à indústria, à educação e à
agricultura.
“Em todas as cidades que estou
visitando, tem depoimento popular, espontâneo, tem proposta, tem ideia. Pode
olhar. Quem não conhece ainda, assista, um por um”, desafiou. A declaração
responde também à acusação do Novo de que o candidato se beneficiaria de
“astroturfing eleitoral”, prática definida na ação como a utilização coordenada
de perfis aparentemente independentes para simular apoio espontâneo. A legenda
cita cinco páginas que supostamente atuariam em conjunto com a conta oficial de
Allyson.
Tentativa de censura
No segundo vídeo, o candidato
voltou a classificar o processo como uma tentativa de censura. “Bizarro. O que
está acontecendo é bizarro. Um candidato usa um partido aliado, usa o seu
advogado pessoal para tentar nos calar por meio de uma ação judicial”, afirmou,
enquanto exibia trechos do pedido apresentado ao TRE-RN. Para ele, a
repercussão da convenção teria surpreendido adversários e até provocado
confusão sobre o conteúdo da representação. “Tem algumas pessoas ainda tão
impactadas, até parte da imprensa, que ainda não está acreditando”, disse.
Allyson argumentou ainda que a
retirada de seu perfil representaria um ataque à liberdade de expressão e ao
próprio regime democrático. “Quem defende esse tipo de mordaça, esse tipo de
ação, não defende democracia. Democracia exige que as pessoas tenham liberdade
de se expressar. Exige que as pessoas possam usar os canais de comunicação”,
declarou. Em seguida, questionou: “Querer retirar da internet o perfil de uma
candidatura legítima, aprovada em convenção por oito partidos, uma candidatura
que está em primeiro lugar nas pesquisas, isso é legítimo? Isso é correto? Isso
é democrático? Não”.
O candidato do União acusou
Álvaro de tentar compensar com poder econômico, estrutura política e
judicialização uma suposta falta de disposição para percorrer o Estado. “Você
não tem coragem de fazer o que eu faço. Hoje acordei cedo e já estou na estrada,
visitando cidades. Volto para Natal para reuniões. Você não tem coragem disso,
candidato”, afirmou. “Você acha que o seu poder, o seu dinheiro, os seus
milhões, a sua estrutura e a máquina que está usando à luz do dia vão fazer
você governador do Estado? Não vão. Não vão, porque é o povo que decide.” Agora RN.
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