“Eu pretendia dar a criança ou
deixar com ele. Já tinha deixado bem claro que eu não queria o neném”, disse.
A mulher relatou que, no dia do
parto, começou a sangrar e percebeu que o bebê estava prestes a nascer. Segundo
ela, o companheiro demorou a chegar e, quando apareceu, a criança já havia
nascido e chorava. O parto ocorreu sobre um pedaço de papelão, na varanda da
casa da avó da mulher.
Ainda conforme o depoimento, ela
afirmou que o recém-nascido nasceu com vida e que, logo depois, ela e o
companheiro decidiram matá-lo.
“A criança saiu com vida. Eu a
escutei chorando e pedi ao pai que a retirasse do local. Ele ficou perdido, não
sabia o que fazer. Eu disse: ‘Eu não quero a criança’, e ele falou: ‘Então, eu
também não quero’.”
Ela também declarou aos
investigadores que o companheiro participou da morte do bebê, versão que
diverge do depoimento prestado por ele no sábado. O homem afirmou à polícia que
a mãe foi a responsável pela asfixia da criança e que sua participação ocorreu
apenas na ocultação do corpo.
A mulher contou ainda que, após o
crime, entrou na residência e não voltou a ver o recém-nascido. Segundo ela,
pouco depois o companheiro retornou e disse que o bebê ainda havia apresentado
sinais de vida. “Ele entrou lá e falou: ‘Ele é muito forte, ele chorou muito
ainda’.”
Ao final do depoimento, a mulher
afirmou que pediu ao companheiro para enterrar o corpo da criança.
A prisão do casal ocorreu no
sábado, após investigação da 60ª Delegacia de Polícia (Campos Elíseos). Segundo
a Polícia Civil, a mulher entrou em trabalho de parto durante a madrugada e
chamou o companheiro para ajudá-la. Após o nascimento da criança, ela passou
mal e foi levada por familiares para um hospital.
Na unidade de saúde,
profissionais perguntaram pelo recém-nascido. Os familiares informaram que o
bebê havia morrido e permanecia em um cômodo localizado nos fundos da
residência. Em seguida, o corpo foi levado ao hospital.
De acordo com a investigação,
familiares afirmaram desconhecer a gravidez, que teria sido escondida durante
toda a gestação.
Em depoimento, o pai disse que o
bebê nasceu com vida e chegou a chorar. Segundo sua versão, a mãe apertou o
pescoço do recém-nascido e pressionou uma camisa contra o rosto da criança para
fazê-la parar de chorar. Ele afirmou que recebeu o bebê quando ele já havia
sido asfixiado e que, depois da morte, colocou o corpo em um saco plástico,
amarrou a embalagem e a deixou em um cômodo da residência.
“Ela (namorada) pegou um pano e
abafou ele (o bebê) com a mão. Quando ela passou o neném para mim, ele já
estava desse jeito. Ele deu uma ameaçada de chorar na hora em que a avó
apareceu. Eu botei o pano no rosto dele, mas eu não apertei. Não asfixiei, tipo
de apertar o pescoço.”
As versões apresentadas pelos
dois investigados são divergentes quanto à participação de cada um na morte do
recém-nascido. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
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