A presidente da Câmara Municipal
de Doutor Severiano, Lúcia Bessa (União Brasil), deixou temporariamente o
município após o assassinato do marido, Edson Marques da Silva, ocorrido em 3
de junho, no Ginásio de Esportes de Encanto. Desde então, ela vem presidindo o
Legislativo de forma remota, inclusive participando virtualmente das sessões.
A situação preocupa familiares e
amigos, que temem pela segurança da parlamentar. De acordo com relatos, há
pessoas próximas defendendo até que a vereadora renuncie ao mandato para
preservar sua integridade.
Familiares de Edson e pessoas
ligadas à vereadora também levantam a possibilidade de o crime ter motivação
política. A hipótese, no entanto, ainda depende da investigação das
autoridades.
Operação da Polícia Civil
aumenta tensão
A repercussão do caso aumentou
após a Operação Enedra, deflagrada recentemente pela Polícia Civil em Doutor
Severiano e Caraúbas, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em sete
alvos.
O ex-vereador Cosmo Marques da
Silva, ligado ao grupo político da prefeita Maria de Fátima, foi preso
temporariamente e está custodiado na Penitenciária Regional de Pau dos Ferros.
Também foram alvo de diligências
endereços relacionados à prefeita e ao marido dela, Roberto Neri, sargento da
Polícia Militar e chefe de gabinete da Prefeitura.
As medidas fazem parte da
investigação e, por si só, não significam condenação ou comprovação de
envolvimento dos alvos em crimes. Todos têm direito ao contraditório, à ampla
defesa e à presunção de inocência.
Vereadores relatam clima de
medo
A insegurança, segundo relatos,
não estaria restrita à presidente da Câmara. Vereadores afirmam sofrer ataques
e intimidações nas redes sociais, com ofensas, acusações e difamações.
Parlamentares chegaram a se
reunir com o juiz da Comarca de São Miguel, que responde jurisdicionalmente por
Doutor Severiano, para relatar a situação e demonstrar preocupação com a
segurança.
Lúcia Bessa pretende solicitar,
ainda nesta semana, uma audiência por videoconferência com o secretário
estadual da Segurança Pública, coronel Francisco Araújo, para pedir
providências para sua segurança e a dos demais vereadores.
O caso também deverá chamar a
atenção da FECAM-RN e da Assembleia Legislativa, especialmente em relação à
proteção das mulheres que exercem mandato político.
Enquanto isso, a investigação
sobre a morte de Edson Marques segue como ponto central para esclarecer a
autoria e a motivação do crime. A situação também expõe o clima de tensão
vivido atualmente no município e a preocupação de vereadores em exercer seus
mandatos sob ameaça ou intimidação.
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