O candidato ao Governo do Rio
Grande do Norte Álvaro Dias (PL) admitiu que a engorda da Praia de Ponta Negra
foi executada durante sua gestão na Prefeitura do Natal sem o sistema de
drenagem necessário. Segundo ele, os serviços complementares não foram realizados
porque não havia tempo suficiente.
“O tempo que a gente tinha para
realizar a engorda na Praia de Ponta Negra era um tempo exíguo, pequeno, curto.
Não dava tempo para fazer a drenagem da forma que era necessário fazer”,
declarou, durante sabatina exibida nesta terça-feira 18 pela TV Tropical.
A declaração foi dada depois de
os entrevistadores questionarem por que a obra havia sido entregue sem o
sistema que evitaria a formação de lagoas na faixa de areia durante as chuvas.
O problema que a obra criou
Concluída no fim de 2024, na reta
final da gestão de Álvaro Dias, a engorda ampliou a faixa de areia de Ponta
Negra para conter os efeitos do avanço do mar, como a erosão costeira. As
falhas no sistema de drenagem complementar, porém, geraram um problema novo:
alagamentos na faixa de areia após dias de chuva. A praia também passou a
registrar voçorocas, que arrastam volumes de areia e desmancham a engorda em
alguns trechos.
Há um detalhe que a admissão do
candidato não menciona. Na época do licenciamento, um dos fatores apontados
pelos técnicos do Idema para atrasar a liberação da licença era justamente a
falta de informações sobre o sistema de drenagem em Ponta Negra após a engorda.
O projeto de drenagem também é alvo de questionamentos do Ministério Público
Federal.
A conta que passa para o sucessor
Álvaro afirmou que a drenagem
ainda será concluída e atribuiu a responsabilidade ao atual prefeito. “A
drenagem vai ser feita. O prefeito Paulinho Freire vai fazer a drenagem, ele
está consciente, sabe da necessidade”, declarou. Em seguida, reiterou: “Paulinho
Freire vai fazer, ele está consciente”.
O candidato defendeu a decisão de
realizar a engorda antes da drenagem sob o argumento de que a intervenção era
urgente para conter o avanço do mar, que ameaçava o calçadão, a Avenida Erivan
França e o Morro do Careca. Ele registrou que a nova faixa tem aproximadamente
50 metros de largura na maré cheia e 100 metros na maré baixa.
“Se nós não tivéssemos feito a engorda na Praia de Ponta Negra, a praia não existia mais”, afirmou. O ex-prefeito também acusou o PT e o Idema de criarem obstáculos políticos ao licenciamento ambiental, lembrando que a Prefeitura precisou recorrer à Justiça para obter a autorização.
Para reduzir os alagamentos, a gestão de Paulinho Freire pretende construir três reservatórios subterrâneos de infiltração em Ponta Negra, que deverão reter e infiltrar gradualmente parte da água da chuva antes que ela chegue à praia. A Construtora Ramalho Moreira venceu a licitação com oferta de R$ 20,45 milhões. O projeto também prevê dispositivos complementares de drenagem e reforço dos 17 dissipadores já instalados ao longo da orla, que reduzem a velocidade da água, mas não impedem que grandes volumes cheguem à praia.
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