O prefeito de João Dias, no
Rio Grande do Norte, Francisco Damião de Oliveira, conhecido como Marcelo
Oliveira, de 38 anos, foi assassinado em 27 de agosto de 2024, durante a
campanha eleitoral para a reeleição. Faltavam apenas 40 dias para as eleições.
Naquele dia, Marcelo estava
acompanhado do pai, Sandi Alves, de 58 anos, quando os dois foram surpreendidos
por criminosos e atingidos por disparos de arma de fogo durante uma atividade
de campanha no conjunto São Geraldo. Sandi morreu ainda no local.
Marcelo chegou a ser socorrido e
levado para uma unidade de saúde em Catolé do Rocha, na Paraíba, mas não
resistiu aos ferimentos.
As investigações apontaram que o
crime teria sido motivado por uma disputa política e que a
ex-vice-prefeita Damária Jácome, do Republicanos, e a irmã dela, Leidiane
Jácome, que havia sido eleita vereadora, seriam as mandantes do assassinato.
Segundo a investigação, o plano também contou com a participação de um pastor
de uma igreja evangélica.
A história entre Marcelo e
Damária já era marcada por conflitos. Em 2021, os dois disputaram a prefeitura
de João Dias, com Marcelo como candidato a prefeito e Damária como vice. Eles
venceram a eleição, mas, cerca de seis meses depois, em julho daquele ano,
Marcelo renunciou ao cargo, e Damária assumiu a prefeitura.
Cerca de um ano e meio depois,
porém, uma decisão judicial determinou o retorno de Marcelo ao cargo. Na época,
ele afirmou que havia renunciado após sofrer ameaças de Damária e de familiares
dela.
Com a volta de Marcelo à
prefeitura, Damária foi afastada do cargo por determinação da Justiça.
Em 2022, Marcelo, o pai e um
irmão teriam sido vítimas de uma tentativa de atentado, mas conseguiram
escapar.
A situação ficou ainda mais tensa
depois que dois irmãos de Damária, que tinham mandados de prisão em aberto por
trafico internacional de drogas, foram mortos durante um confronto com a
polícia. Segundo as investigações, familiares de Damária passaram a responsabilizar
Marcelo pelas ações policiais que resultaram na morte dos dois.
Em 27 de dezembro de 2024, a
Justiça decretou a prisão de dez pessoas investigadas por envolvimento no
crime, entre elas Damária, Leidiane e um pastor de
27 anos.
De acordo com a polícia, o pastor teria ajudado o grupo a encontrar o local
ideal para executar Marcelo. A própria igreja onde ele atuava chegou a ser
considerada como possível cenário para o assassinato.
Segundo as investigações, o
pastor teria cogitado que o melhor momento seria durante um culto, quando
Marcelo estaria mais vulnerável.
A operação que investigou o caso
recebeu o nome de “Profanos”, porque, segundo a polícia, parte da
articulação do crime teria ocorrido durante um culto religioso.
Ao final do inquérito, oito pessoas foram indiciadas como executoras e outras
cinco como supostas mentoras intelectuais do assassinato.
Sete dos executores foram presos.
Um oitavo homem apontado como participante do crime morreu no próprio dia do
assassinato, depois de ser atingido pelo segurança de Marcelo.
Damária Jácome, Leidiane Jácome e
o homem apontado como intermediador do crime permaneceram
foragidos até agosto de 2025, quando foram presos em Ciudad del Este,
no Paraguai, durante uma operação conjunta da Polícia Civil do Rio
Grande do Norte, Polícia Federal e autoridades paraguaias.
Eles permanecem presos aguardando
julgamento.
Após a morte de Marcelo, a viúva
dele decidiu entrar na disputa eleitoral. Ela se candidatou à prefeitura de
João Dias e venceu as eleições, derrotando justamente Damária Jácome.
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