O presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou nesta quinta-feira (10) a
retirada do sigilo das investigações do caso Master que tramitam na Corte.
Segundo o pedido do presidente,
fica em sigilo o que não prejudicar as investigações para futuras operações
sobre o caso.
"Tendo em vista a inclusão
da Pet 16.662 em calendário de julgamento na sessão extraordinária de 15 de
setembro de 2026 e considerando que a Pet 16.662 foi formada a partir da Pet
15.556, solicita-se ao eminente ministro André Mendonça (relator da Pet
15.556), a remessa, em HD próprio, a esta Presidência e aos gabinetes dos
eminentes ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet
15.556, bem como o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos
nela contidos ou a ela relacionados), ressalvado apenas o que diga respeito a
diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida", diz
Fachin.
Nesta quarta-feira (9), Fachin
convocou o plenário da Corte para discutir na próxima terça-feira (15) o
relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma suposta relação entre o
ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Na sessão, os ministros vão
discutir a validade do documento da PF feito a pedido do ministro André
Mendonça. O documento sofreu críticas de alguns ministros da Corte. Na
avaliação deles, Mendonça pediu para investigar um colega sem autorização do
plenário.
Nesta quinta, o presidente da
Corte passou a tarde em consultas internas.
Fachin recebeu seis ministros no
gabinete da Presidência e, entre análise de cenários para estancar a crise sem
precedentes, também ouviu impressões sobre o rito para a sessão de terça-feira
(15) que vai discutir se abre ou não uma investigação contra o ministro
Alexandre de Moraes.
Na rodada de conversas da tarde
desta quinta, Fachin esteve com Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Cristiano
Zanin, Nunes Marques e Luiz Fux – os dois últimos conversaram juntos com o
presidente. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também esteve na
Presidência. Segundo um ministro, Fachin tem "escutado muito e falado
pouco".
No fim da noite, Fachin foi até o
gabinete da ministra Cármen Lúcia para mais conversas.
Situação inédita
O caso é inédito no STF. A
decisão de Fachin de levar para análise do plenário o relatório da Polícia
Federal (PF) que apontou mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes
intensificou articulações de bastidores e apostas sobre apoio ou não para abrir
uma investigação contra o ministro.
Até agora, seis votos são
considerados mais consolidados. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e
Cristiano Zanin são apontados como pontos alinhados com Moraes. André Mendonça
contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Nos bastidores, há incerteza
sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que têm recebido acenos dos dois
lados.
O ministro Dias Toffoli teria
indicado a colegas que a tendência é não participar, já que o caso é
desdobramento do Master e ele tem se declarado suspeito de votar em
desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações.
Há quem defenda que o ministro
pode votar, no entanto, sendo que a discussão envolve questões processuais,
como o modelo para investigação de um integrante da Corte.
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