O candidato do PL à Presidência,
Flávio Bolsonaro, fará nesta terça-feira uma pausa parcial nas agendas de
campanha e permanecerá em Brasília para acompanhar as articulações no Congresso
em torno da proposta que acaba com a escala 6x1. A interrupção dura apenas um
dia: na quarta-feira, o senador retoma a rotina eleitoral com uma viagem ao Rio
Grande do Sul. A passagem pela capital ocorre num momento em que Flávio tenta
construir uma alternativa à redução da jornada defendida pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), sem se colocar frontalmente contra uma medida com
amplo apoio popular.
A permanência em Brasília também
permite ao candidato acompanhar o esforço concentrado do Congresso sem
necessariamente se comprometer em votações que impõem custos políticos
distintos. Além da PEC da 6x1, está prevista para esta terça no Senado a análise
da medida provisória que acabou com a chamada “taxa das blusinhas”. Flávio,
segundo interlocutores, não deve participar da votação da MP. No caso da
jornada de trabalho, tampouco estará na CCJ na quarta-feira, quando a proposta
deve ser analisada, porque já terá embarcado para o Rio Grande do Sul.
A posição é delicada para o
presidenciável. Votar contra o fim da escala 6x1 significaria se opor a uma
mudança apoiada por 69% dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest realizada em
julho. Aderir à proposta, por outro lado, contrariaria a posição que Flávio vem
defendendo e enfrentaria resistência de setores do empresariado preocupados com
o impacto da redução da jornada sobre os custos trabalhistas.
Por isso, o senador tenta ocupar
uma terceira posição. Flávio tem defendido uma solução baseada na
flexibilização das relações trabalhistas, em contraposição à fixação de uma
nova jornada na Constituição. Em entrevista à Record no último domingo, afirmou
que cada trabalhador deveria ter liberdade para definir quanto pretende
trabalhar e receber de acordo com essa escolha.
— Eu defendo a liberdade do
trabalhador. O trabalhador vai trabalhar quantas horas ele quiser. Ele vai ter
a flexibilidade, a liberdade de decidir e vai ser remunerado pela quantidade de
horas que ele quer trabalhar — afirmou.
A intenção agora é transformar
esse discurso em uma alternativa à proposta apoiada pelo governo. No entorno de
Flávio, há o reconhecimento de que simplesmente se posicionar contra o fim da
escala 6x1 deixa o candidato numa posição delicada diante do apoio popular à
mudança e abre espaço para Lula apresentar a direita como adversária da redução
da jornada.
A movimentação ocorre em paralelo
à estratégia montada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN),
para dificultar que a PEC seja aprovada durante o esforço concentrado. Marinho
pretende usar instrumentos regimentais para ampliar a discussão, como pedido de
vista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), análise das emendas
apresentadas e resistência a acordos que permitam abreviar os prazos para a
votação em dois turnos.
A resistência à 6x1 contrasta com
a postura em relação à MP das blusinhas. Embora Flávio não deva votar a medida,
aliados do candidato não planejam uma ofensiva para derrubá-la. Se a MP perder
a validade, volta a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até
US$ 50, cenário que a oposição também considera de difícil defesa eleitoral. A
medida precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro.
Na quarta-feira, Flávio deixa
Brasília e retoma a campanha no Rio Grande do Sul. O candidato participará de
uma feira de agronegócio e fará gravações para o horário eleitoral de aliados
no estado, entre eles o candidato ao governo Luciano Zucco (PL-RS).
Entenda a discussão sobre a
escala 6x1
O que está em debate: a
proposta em discussão no Congresso reduz a jornada de trabalho e acaba com a
possibilidade de uma rotina regular de seis dias de trabalho para um de
descanso.
O que defende o governo:
Lula incorporou o fim da escala 6x1 às principais bandeiras de sua campanha e
pressiona o Congresso para avançar com a mudança antes das eleiçõe
Onde está a proposta: a
PEC passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado antes de
seguir para o plenário, onde precisa ser aprovada em dois turnos.
O que diz Flávio: o
candidato rejeita a fixação de uma nova jornada na Constituição e propõe maior
flexibilidade para que trabalhador e empregador definam a quantidade de horas
trabalhadas e a remuneração.
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