O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (30) que o senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) entrou na política com apoio do crime organizado e de milicianos do Rio
de Janeiro. Lula fez a declaração durante entrevista ao canal Normose, no
YouTube.
Durante a conversa, o presidente
falou sobre sua própria trajetória política e comparou o início da carreira com
a de Flávio Bolsonaro. Segundo Lula, o senador “nunca trabalhou” e iniciou a
vida política com apoio de grupos criminosos.
“Ele foi eleito vereador com 21
anos de idade, já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelos
milicianos”, afirmou Lula.
Flávio entrou na política aos
19 anos
A afirmação de Lula sobre a idade
de Flávio, porém, apresenta uma diferença em relação aos registros eleitorais.
Flávio Bolsonaro conquistou o primeiro mandato como vereador do Rio de Janeiro
em 2000, aos 19 anos.
Na sequência, ele permaneceu na
Câmara Municipal até 2003. Depois, seguiu carreira política em outros cargos
eletivos e chegou ao Senado Federal em 2019.
Atualmente, Flávio Bolsonaro é
senador pelo Rio de Janeiro e candidato à Presidência da República nas eleições
de 2026. O TSE validou o registro da chapa formada por Flávio Bolsonaro e
Alfredo Gaspar em setembro.
Lula cita milícias do Rio
Durante a entrevista, Lula
associou a trajetória política de Flávio Bolsonaro ao crime organizado e às
milícias do Rio de Janeiro. No entanto, a declaração representa uma
acusação feita pelo presidente e não uma conclusão judicial apresentada na
entrevista.
O tema já apareceu no debate
eleitoral deste ano. Em junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
determinou a remoção de publicações que associavam Flávio Bolsonaro a facções
criminosas e à operação da Polícia Federal chamada “Unha e Carne”.
Na decisão liminar, a ministra
Estela Aranha afirmou que as publicações não apresentavam dados concretos,
investigação formal ou imputação jurídica que vinculasse Flávio à operação
citada.
Além disso, a ministra
considerou que as publicações associavam o candidato a organizações criminosas
sem comprovação mínima. A decisão determinou a retirada do conteúdo no prazo de
24 horas e proibiu novas publicações com conteúdo idêntico ou equivalente.
Flávio contesta acusações
Flávio Bolsonaro já negou
acusações de vínculo com milícias e organizações criminosas. Por outro lado,
em seu programa de governo para as eleições de 2026, o senador apresenta
propostas voltadas ao combate a facções, milícias e organizações criminosas.
Entre as medidas apresentadas,
Flávio propõe classificar PCC, Comando Vermelho, milícias e outras facções como
organizações narcoterroristas. O programa também prevê ações de combate ao
financiamento e à lavagem de dinheiro dessas organizações.
Declaração ocorre durante
campanha eleitoral
A fala de Lula ocorreu durante a
campanha para as eleições de 2026. Além disso, os dois políticos estão
envolvidos em disputas judiciais relacionadas ao debate eleitoral.
Na segunda-feira (28), por
exemplo, o TSE admitiu uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije)
apresentada por Flávio Bolsonaro contra Lula e o vice-presidente Geraldo
Alckmin. O processo envolve alegações de abuso de poder político e de
autoridade.
Nesse contexto, as
declarações sobre a trajetória política de Flávio ocorrem durante uma disputa
presidencial em andamento.
Por fim, a acusação feita
por Lula sobre suposto apoio do crime organizado deve ser tratada como
declaração do presidente. Até o momento, a decisão do TSE citada acima registra
que não havia, naquele caso analisado, dados concretos, investigação formal ou
imputação jurídica que vinculassem Flávio à operação mencionada.
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