O senador Flávio Bolsonaro (PL)
utilizou, em janeiro de 2025, uma aeronave que tinha participação de uma
empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A viagem
ocorreu entre a Flórida e Brasília, em um voo com a família do parlamentar e o
advogado Willer Tomaz, segundo levantamento da revista piauí.
O jatinho executivo de prefixo PP-NLR
é o mesmo que meses depois transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Alexandre de Moraes, em agosto de 2025. De acordo com a apuração, a
empresa Prime You, que tinha Vorcaro como sócio, já possuía uma das cotas da
aeronave quando ocorreu a viagem de Flávio.
A viagem aconteceu em 19 de
janeiro de 2025, quando Flávio retornava aos Estados Unidos para Brasília
acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas e
de Willer Tomaz. O advogado afirmou à piauí que era proprietário de uma
das três cotas do avião.
A aeronave era administrada pela Prime
Aviation Táxi Aéreo, empresa integrante do grupo Prime You, que teve Daniel
Vorcaro como sócio entre 2021 e setembro de 2025. A propriedade era dividida em
três participações, incluindo a de Tomaz e a de Laércio Cosentino, fundador da
TOTVS.
A identificação do avião foi
feita a partir do cruzamento de registros históricos de tráfego aéreo,
documentos aeroportuários e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro. Os
dados indicam que o PP-NLR saiu de Fort Lauderdale e pousou em Brasília na mesma
data e rota atribuídas ao voo de Flávio e Tomaz.
Jato, Master e aproximação
política
A relação entre Flávio Bolsonaro
e Daniel Vorcaro já vinha sendo investigada em outro contexto. Segundo a
reportagem, a viagem ocorreu durante o período em que havia negociações para um
financiamento de US$ 24 milhões para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, Dark
Horse.
Após o desembarque em Brasília,
Flávio cobrou andamento das tratativas com o banqueiro por meio de um
intermediário. O financiamento previa uma primeira transferência em janeiro de
2025, mas os repasses ocorreram posteriormente, com uma parcela inicial enviada
em fevereiro.
A Polícia Federal investiga o
caminho dos recursos destinados ao projeto cinematográfico e busca esclarecer a
movimentação financeira envolvendo empresas e fundos nos Estados Unidos.
Além do voo, a reportagem também
cita outros vínculos envolvendo pessoas próximas ao senador. Willer Tomaz
esteve com Flávio em outras viagens e possui relação com imóveis e negócios que
aparecem nas investigações sobre o Banco Master.
Procurados pela reportagem, Flávio
Bolsonaro e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos pedidos de
entrevista.
Willer Tomaz afirmou que detinha
uma das cotas da aeronave e disse que a utilização do avião ocorria de forma
privada, sem cobrança de valores. Segundo sua assessoria, ele só teria tomado
conhecimento da participação de Vorcaro no avião em 2026 e, após isso, entrou
em disputa judicial com a Prime You
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