Um levantamento interno da
campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aponta que a promessa de
oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS se tornou a peça de proposta de governo
com maior desempenho digital da campanha até agora.
Segundo a coluna de Tatiana
Farah, do UOL,
os conteúdos sobre o tema chegaram a 21 milhões de visualizações e 217 mil
compartilhamentos nas redes sociais da campanha petista. O dado foi
interpretado no QG de Lula como um sinal de que a proposta conseguiu
ultrapassar a bolha de apoiadores do presidente em meio à disputa eleitoral
contra Flávio Bolsonaro (PL).
70% do público alcançado pelas
publicações não segue os canais oficiais de Lula. A campanha também registrou
2,51 milhões de interações sobre o tema, principalmente no X e no YouTube.
Nos bastidores, a repercussão foi
vista como um alento pela equipe petista em um momento em que Lula enfrenta
perda de espaço nas pesquisas de intenção de voto. A avaliação da campanha é
que a proposta das canetas emagrecedoras deslocou parte da discussão eleitoral
para um tema de alcance social mais amplo e menos restrito à polarização entre
lulistas e bolsonaristas.
O anúncio, no entanto, também
abriu uma nova frente de disputa no Tribunal Superior Eleitoral. Flávio
Bolsonaro acionou o TSE contra Lula por causa do evento em que o presidente
prometeu a oferta das canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde. Segundo
a campanha de Flávio, trata-se da 14ª representação apresentada pelo senador
contra o petista.
A representação questiona
publicações do Ministério da Saúde sobre a visita de Lula à Eurofarma e sobre a
futura disponibilização dos medicamentos no SUS, com menção nominal ao
presidente. A campanha de Flávio sustenta que o episódio teria uso eleitoral da
máquina pública.
A promessa foi incorporada ao
horário eleitoral de Lula nesta quinta-feira. A decisão indica que a campanha
pretende explorar o tema como uma das principais vitrines programáticas da reta
final, ao lado de medidas voltadas ao custo de vida e ao enfrentamento das
plataformas de apostas digitais.
Outra aposta do QG petista é a
proibição das bets. A expectativa da campanha é que o tema tenha potencial
semelhante ao das canetas emagrecedoras para alcançar eleitores fora dos
núcleos mais politizados. Pesquisas internas e externas citadas pela campanha
indicam que a maioria dos brasileiros aprova maior restrição às apostas online.
A avaliação dos aliados de Lula é
que a ofensiva contra as bets pode ter impacto especialmente entre eleitores
evangélicos, segmento em que o presidente enfrenta maior resistência. Na
quarta-feira, em encontro com artistas no Rio de Janeiro, Lula voltou a
defender a medida e afirmou: “Não é uma guerra, é uma decisão.”
Nos bastidores do governo,
técnicos estudam a elaboração de uma medida provisória para tratar do tema. A
proposta ainda está em discussão, mas Lula já colocou o combate às bets no
centro de sua campanha e passou a associar as plataformas de apostas ao endividamento
e à desorganização financeira de famílias brasileiras.
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