O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (16/9), que
o Brasil não comporta políticos “vira-lata” que ficam “de quatro” para os
Estados Unidos. A declaração ocorreu durante evento em Ceilândia (DF), no qual
o petista defendeu a soberania nacional e criticou a atuação de políticos
brasileiros no exterior.
“Esse país não comporta
político vira-lata. Esse país não comporta político que de dia mostra a
bandeira nacional e de noite vai ficar de quatro pros Estados Unidos, para a
bandeira americana”, declarou.
Na mesma fala, Lula citou Eduardo
Bolsonaro, irmão do candidato
à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e o acusou de atuar contra o
Brasil nos Estados Unidos.
“Esse mesmo cidadão [Flávio]
mandou o irmão para os Estados Unidos para tramar contra o Brasil. Tá lá o
Eduardo Bolsonaro, traidor da pátria, falando mal do Brasil, pedindo para o
Trump fazer intervenção no país”, afirmou.
O evento “Brasil Pronto
pra Mais” contou com a presença de Leandro Grass (PT), candidato
ao governo do DF, e das candidatas ao Senado Erika Kokay (PT) e Leila Barros
(PDT). A
primeira-dama Janja Lula da Silva também acompanhou o presidente.
Tensão entre Brasil e EUA
As falas de Lula ocorrem em meio
a novos movimentos de aliados do bolsonarismo em Washington e à pressão da Casa
Branca sobre o governo brasileiro.
O encontro ocorreu um dia após o
STF adiar a análise do pedido de investigação contra Moraes no Caso Master,
após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Eduardo e Figueiredo pretendiam
apresentar detalhes da sessão aos americanos e defender a retomada das sanções
da Lei Magnitsky contra Moraes, além da inclusão de Dino na lista de
autoridades punidas.
Trump critica Brasil por
combate ao crime organizado
Também
nesta quarta-feira, o governo Trump criticou a atuação do Brasil no combate ao
Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Em
documento enviado ao Congresso americano, a Casa Branca afirmou que as facções
transformaram o país em um centro de distribuição global de cocaína e cobrou
medidas mais firmes das autoridades brasileiras.
Embora o Brasil tenha ficado fora
da lista de principais países produtores ou de trânsito de drogas ilícitas, o
documento fez uma crítica direta ao governo Lula. As duas organizações
criminosas foram classificadas como grupos terroristas estrangeiros pelo
governo Trump em junho deste ano, medida à qual o governo brasileiro se opôs
por considerar que poderia afetar a soberania nacional.
Flávio Bolsonaro, por outro lado,
apoiou a classificação das facções e defendeu a medida durante sua atuação
junto ao governo norte-americano.
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