O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva afirmou, nesta quarta-feira (16), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
demonstra uma “obsessão” contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), com o objetivo de tentar desviar a atenção de suas
próprias ligações e responsabilidades. Durante entrevista ao programa Desce
a Letra Show, transmitido no YouTube, o chefe do Executivo rebateu as
acusações feitas pela oposição sobre a indicação do magistrado e assegurou que
defenderá a apuração rigorosa e o julgamento de qualquer pessoa que tenha
cometido delitos.
Ao comentar os recentes ataques
promovidos pelo parlamentar fluminense contra o STF, Lula sustentou que a
animosidade do clã Bolsonaro contra o ministro Moraes não tem relação com o
escândalo financeiro do Banco Master, mas sim com a atuação do magistrado em
investigações cruciais que atingiram o núcleo bolsonarista. “Você veja como é a
mentira. Nós estamos vendo aquele julgamento na Suprema Corte. Ontem o meu
adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de
Moraes e isso e aquilo. A obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles
não querem brigar com o Alexandre de Moraes por causa do Banco Master. Não é
por isso que ele tem raiva, porque ele sabe que ele tem o rabo preso ao Banco
Master mais do qualquer outra pessoa”, disse o presidente.
O presidente detalhou os reais
motivos que, em sua avaliação, causam o temor e o ressentimento da família do
ex-mandatário Jair Bolsonaro em relação às decisões tomadas na Suprema Corte.
“A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes mandou
prender o cara que mandou matar a Marielle. A bronca dele é porque o Alexandre
de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro.
Esse é o pavor dele. E a bronca dele é porque essa apuração que está tendo na
Suprema Corte vai descobrir quem é de verdade que está metido nisso”, pontuou
Lula.
Durante a entrevista, Lula também
rebateu categoricamente as tentativas da oposição de vincular o atual governo a
fraudes e irregularidades ocorridas na Previdência Social, ressaltando que o
esquema foi estruturado durante a gestão anterior. “Por exemplo, eles criaram a
quadrilha do INSS. Eles criaram a quadrilha no governo Bolsonaro. Nós, em dois
anos, descobrimos a quadrilha, já prendemos quase todos eles, já tomamos bens
de quase R$ 6 bilhões, já pagamos quase 5 milhões de aposentados, investindo R$
3,5 bilhões para pagar o roubo que eles fizeram na Previdência Social. E eles
tentam passar a ideia de que é nosso. Eles montaram a quadrilha, nós
prendemos”, desabafou.
O chefe do Executivo rebateu
ainda ilações que buscam associar seus familiares a investigados, apontando as
reais conexões do senador do PL. “‘Ah, o filho do Lula é sócio do Careca [do
INSS]’. E quem tem um escritório junto com o Careca é ele, o Flávio. Então nós
temos que desmontar essa coisa”, frisou.
Lula aproveitou a oportunidade
para desconstruir a narrativa sobre a escolha de integrantes da Corte Suprema,
ressaltando que cabia justamente ao Senado Federal, onde Flávio Bolsonaro já
atuava, a sabatina e aprovação dos nomes indicados. “Eu não era presidente
quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele
[Flávio Bolsonaro] era senador. Ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu
não era presidente quando eles indicaram o Kassio [Nunes Marques]. Ele deve ter
votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto,
ele é o culpado, não eu”, destacou.
Sobre o curso das apurações em
andamento na Justiça, o presidente reiterou sua posição em defesa da
legalidade, do devido processo legal e da igualdade de todos perante a lei, sem
distinção de cargo ou influência. “E eu quero dizer em alto e bom som: todo
mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo
é um julgamento justo, com direito de defesa. Mas se a pessoa cometeu um delito
a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de
Moraes, vale para o Fachin… Essa é minha tese”, ressaltou.
Por fim, Lula prestou
solidariedade e elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes na condução
da Justiça Eleitoral brasileira durante o último pleito presidencial,
destacando a resistência institucional contra os ataques proferidos ao sistema
de votação. “Acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à
democracia brasileira. Ele foi presidente do TSE na eleição em que eu ganhei.
Ele sabe e o Brasil sabe a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a
credibilidade das urnas brasileiras, que é o processo eleitoral mais moderno e
mais rápido. Um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com 160 milhões
de eleitores, e você sabe o resultado duas horas depois de acabar a eleição. Se
fosse possível roubar na urna, eu não teria sido presidente. Você acha que eu
ia ganhar do Serra? Do Alckmin? Jamais. A urna é uma coisa muito séria e ela
não está subordinada à internet. Por isso não há manipulação”, concluiu.
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