A Polícia Federal encontrou na
casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, uma lista com
nomes de deputados e números que, segundo os investigadores, podem representar
valores. O documento estava na churrasqueira da residência e, de acordo com uma
funcionária, havia sido separado pelo senador para ser queimado.
Ciro Nogueira foi alvo de busca e
apreensão em 7 de maio, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero,
que mira desvios envolvendo o Banco Master de Daniel Vorcaro.
A lista encontrada na
churrasqueira é intitulada “Câmara” e traz os nomes “Arthur”, “Hugo”, “Elmar”,
“Luizinho”, “Adolfo”, “Isnaldo”, “Diego”, “Altineu” e “Netinho”, acompanhados
dos números 5, 10 e 40.
A PF diz que os nomes podem
corresponder a parlamentares como Arthur Lira, Hugo Motta, Elmar
Nascimento, Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões.
Segundo o relatório, a
funcionária Débora afirmou que Ciro Nogueira havia entregue os papéis para que
fossem queimados por serem “antigos ou sem serventia”. A incineração não
ocorreu por falta de tempo.
A PF afirma que ainda precisa
esclarecer o significado dos números registrados ao lado dos nomes.
O que dizem os citados
A assessoria de Arthur Lira disse
que o ex-presidente da Câmara “desconhece as anotações mencionadas e não
pode responder por esse registro”. Hugo Motta não quis se manifestar.
Elmar Nascimento disse
repudiar “completamente” a associação de seu nome ao documento, que
classificou como “apócrifa”. O deputado também afirmou que nunca “fez
política” com Ciro Nogueira.
A PF também chamou atenção para o
padrão de vida encontrado na residência do senador. Os investigadores citaram
vinhos e uísques de “alto valor”, bolsas de grife e malas de viagem vazias
com etiquetas em nomes de familiares e terceiros.
Segundo o relatório, a presença
das malas levantou suspeitas sobre uma possível utilização para transporte de
valores.
A PF não apresentou, no trecho
citado, conclusão sobre a origem ou o destino de eventuais quantias.
Mendonça retira sigilos
O ministro André Mendonça,
do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu levantar o sigilo de todas as
investigações que estavam em sua alçada e que têm alguma ligação com o
caso do Banco Master.
Mendonça decidiu tornar públicas
as investigações sobre o caso Dark Horse, sobre o ex-governador do Rio de
Janeiro Cláudio Castro, sobre Ciro Nogueira e sobre Jaques
Wagner.
Ao defender o levantamento de
todas as peças que estavam nas mãos de Mendonça, Alexandre de Moraes acusou o
colega de promover um “levantamento seletivo e direcionado” de
documentos sob sigilo para proteger “determinado grupo político”.
Mendonça rebateu a afirmação de
Moraes de que o levantamento de sigilo de procedimentos ligados ao caso
Banco Master teria excluído 180 documentos.
Em despacho, Mendonça sustentou
que a diferença entre o número de peças indicado no STF Digital e o material
efetivamente disponibilizado não significa que tenha havido abertura parcial
dos autos e classificou como “imprestável” a tabela usada por Moraes para
sustentar a alegação. O ANTAGONISTA
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