A senadora Zenaide Maia (PSD),
que disputa
a reeleição ao Senado, afirmou na sexta-feira 18 que ficou de fora do
projeto do PT para as eleições de 2026. Segundo ela, foi essa exclusão que
separou os dois grupos políticos, o dela e o da governadora Fátima Bezerra.
Segundo Zenaide, desde dezembro
de 2022 Fátima já tinha desenhado uma composição com ela própria candidata ao
Senado, outro nome para a segunda vaga e um candidato petista ao Governo do Rio
Grande do Norte. Não havia lugar para a senadora na chapa.
“Em 2022, tive um encontro com
Fátima e ela disse claramente que tinha o projeto político dela, que seria ela
senadora, mais outro senador e o candidato ao governo”, contou Zenaide, que
situa a conversa em 13 de dezembro daquele ano.
Diante do arranjo apresentado
pela governadora, a senadora diz ter decidido seguir o próprio caminho rumo à
reeleição, sem depender do apoio do grupo petista. “Então, o que é que eu fiz?
Continuei o meu trabalho no Rio Grande do Norte. Essa era a minha função”,
disse a parlamentar. Foi esse trabalho, segundo ela, que levou o mandato aos
167 municípios potiguares por meio de emendas e projetos.
A versão apresentada agora por
Zenaide contradiz o que lideranças do PT diziam em público até pouco tempo
atrás. Nos meses anteriores às convenções partidárias, que oficializaram as
candidaturas, petistas afirmavam em público esperar que a senadora continuasse
aliada do grupo. Quando a aliança não saiu, atribuíram a ela a decisão de ficar
de fora.
O rompimento acabou se
confirmando na prática, e hoje Fátima e Zenaide estão em palanques opostos na
eleição para o Governo do Estado. A senadora está hoje no grupo de Allyson
Bezerra (União), ex-prefeito de Mossoró e candidato ao Governo, e divide a
chapa ao Senado com Tércio Tinoco (União). Fátima, que não conseguiu
viabilizar a própria candidatura, lançou Cadu de Lula (PT) para sucedê-la e
apoia Samanda de Lula (PT) e Rafael Motta (PDT) ao Senado.
Perguntada se o afastamento se
deu porque uma dobradinha com Fátima, também candidata ao Senado naquele
desenho inicial, poderia tirar votos dela, Zenaide repetiu que a governadora já
tinha um grupo fechado, do qual ela não fazia parte. “Ela era candidata e tinha
um grupo de candidatos. Não era só ela, já era apresentado ela e o grupo”,
disse.
A senadora também explicou por
que guardou para si, durante quase quatro anos, o conteúdo daquela conversa com
a governadora. Na avaliação dela, a escolha era de Fátima, e não havia o que
fazer para mudá-la. “E, se você me perguntar por que não disse, porque eu fui
seguir em frente. Era uma opção e eu ia mudar o quê nisso? Então, fui continuar
com o meu trabalho”, afirmou.
Se no RN a relação acabou, em
Brasília Zenaide segue ao lado do PT e do governo federal. Ela é vice-líder do
governo no Senado e diz que vai votar
em Lula para presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. “Desde o início, eu
tinha falado para o presidente da República que o meu candidato era Lula”,
afirmou. Diante de uma nova pergunta sobre o voto para presidente, reforçou:
“Confirmando que eu apoio Lula, sim”.
A senadora rejeitou com ênfase a
acusação de oportunismo por estar num palanque de oposição ao PT no Estado e,
ao mesmo tempo, continuar na base do governo federal. “Não é oportunismo,
porque quem conhece o Senado sabe que não é oportunismo”, disse. Ela acrescentou
que recebeu o convite para ajudar o governo Lula e que a posição dela em
Brasília é a mesma desde o começo do mandato.
“Sou da base de Lula e voto em
Lula. Nunca neguei isso e não é oportunismo, porque eu nunca mudei isso aí”,
afirmou. Entre as propostas do governo federal que ajudou a aprovar, lembrou
três: o piso nacional da enfermagem, o novo Mais Médicos e a lei que garante a
homens e mulheres o mesmo salário quando exercem a mesma função.
A candidata disse ainda que
seguirá apoiando o que considerar bom para a população, seja de que partido for
a iniciativa. “Eu jamais deixaria de apoiar projetos importantes para as
pessoas porque era de A, B ou C”, afirmou. Sobre um eventual governo sem Lula,
preferiu não antecipar se seria oposição ou situação e disse que avaliaria cada
proposta separadamente. Na corrida ao Senado, a
soma dos votos da última pesquisa Exatus coloca Zenaide em segundo lugar.
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