A Bahia é o câncer do Brasil”.
Foi assim que o economista e comentarista Rodrigo Constantino, apoiador da
candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), reagiu aos resultados das eleições deste
domingo (4) no estado. Em um vídeo publicado horas depois da votação, ele
atacou a Bahia, Salvador e generalizou críticas à população baiana ao comentar
as vitórias do PT para o governo estadual e para o Senado.
Logo no início, ele antecipa que
seria acusado de xenofobia e diz não se importar com a reação. “Vai vir a turma
da Globo falar que é xenofobia, estou pouco me lixando para isso. A Bahia é o
câncer do Brasil”, afirma.
“A Bahia é o câncer do
Brasil”, diz Constantino
Na sequência, Constantino afirma
ter ido ao estado algumas vezes, a trabalho e a lazer, e chama Salvador de “um
lixo”. Para sustentar a crítica, relata episódios que teria presenciado em
viagens à Bahia e que ele próprio classifica como “evidências anedóticas”.
Em um dos relatos, diz ter
encontrado, numa segunda-feira pela manhã, pessoas em bares com violão e
cerveja e conclui: “Ninguém quer trabalhar”. Depois, menciona o caso de uma
pessoa que teria tentado comprar água de coco e ouvido que o responsável por retirar
os frutos não havia ido trabalhar naquele dia.
Constantino também conta que, em
outra ocasião, alguém teria pedido um queijo quente e recebido a informação de
que o estabelecimento só tinha misto quente já preparado. A partir desses
episódios isolados, amplia o ataque para o conjunto da população do estado.
“Baianos, com todas as boas
exceções, em geral, vocês são uma vergonha para o Brasil”, diz. No fim da
gravação, ele liga diretamente a crítica ao resultado das urnas: “Dois
senadores petistas eleitos envolvidos com Vorcaro, um governador petista, que
papelão!”. Constantino não detalha no vídeo o que pretende sustentar ao usar a
expressão “envolvidos com Vorcaro”.
Ataque veio após PT vencer
governo e Senado na Bahia
A fala foi publicada depois de
uma noite de vitórias do PT na Bahia. Jerônimo Rodrigues foi reeleito
governador no primeiro turno com 55,80% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na disputa pelo Senado, Rui Costa
e Jaques Wagner, ambos do PT, conquistaram as duas vagas em jogo. Com a
apuração concluída, Rui recebeu 30,07% dos votos válidos, enquanto Wagner ficou
com 27,65%. Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) ficaram fora das
vagas.
O resultado presidencial também
contrariou o campo político defendido por Constantino. Lula venceu na Bahia com
66,17% dos votos válidos, contra 28,54% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de
37,63 pontos percentuais.
Rodrigo Constantino defendeu
voto em Flávio na reta final
Constantino vinha defendendo
publicamente a candidatura de Flávio Bolsonaro. Em textos publicados durante a
campanha, elogiou a estratégia do senador e, na reta final do primeiro turno,
passou a defender a concentração de votos em Flávio como forma de derrotar
Lula.
Em artigo publicado em 25 de
setembro, por exemplo, escreveu que o eleitor que ainda hesitasse entre Flávio
e candidatos menores estaria, “na prática”, facilitando a reeleição do petista.
Também afirmou que, para quem queria tirar o PT do poder, o caminho seria
concentrar o voto no candidato do PL.
A postagem contra a Bahia foi
publicada na mesma noite em que Lula abriu 37,63 pontos de vantagem sobre
Flávio no estado, Jerônimo garantiu a reeleição em primeiro turno e Rui Costa e
Jaques Wagner ficaram com as duas vagas baianas no Senado.
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