A Polícia Federal (PF)
pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a
prorrogação do inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, que
trata da história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias.
A cinebiografia tornou-se alvo de
investigação no STF sobre o financiamento do filme pelo ex-banqueiro Daniel
Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a atuação do senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), candidato à Presidência da República, no caso.
O inquérito, aberto em julho a
pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da
República (PGR), investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas,
corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao financiamento da
produção.
Flávio Bolsonaro aparece
formalmente como investigado.
Em outra frente, relatada pelo ministro Flávio Dino, a PF investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mario Frias (PL) a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse". (Veja mais detalhes)
Conversas de Flávio com Vorcaro
O caso ganhou repercussão em maio
de 2026, após a divulgação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
sobre recursos para financiar o filme.
Inicialmente, Flávio negou ter
pedido dinheiro ao ex-banqueiro. Após a divulgação de um áudio, o senador
voltou atrás e reconheceu que havia falado com o ex-banqueiro para viabilizar a
produção, mas disse que se tratava de financiamento privado e negou
irregularidades.
Uma empresa ligada a Vorcaro
teria enviado recursos aos Estados Unidos. A PF passou a buscar o rastreamento
dos valores e a apurar se o dinheiro foi efetivamente aplicado na produção
cinematográfica.
A dona da Go Up, Karina Ferreira
da Gama, afirmou em maio à GloboNews e à TV Globo que Vorcaro foi
responsável por mais de 90% dos recursos que viabilizaram a produção.
Segundo ela, o orçamento realizado até então estava em cerca de US$ 13 milhões, equivalentes a R$ 65,7 milhões à época. Flávio Bolsonaro havia admitido que Vorcaro colocou pouco mais de US$ 12 milhões no projeto.
PF investiga destino do dinheiro
Os investigadores analisam três
frentes relacionadas a "Dark Horse":
Eduardo Bolsonaro negou ter
recebido recursos de fundo ligado a Vorcaro. Disse que seu status migratório
nos Estados Unidos não permitiria esse tipo de repasse e afirmou ter informado
às autoridades americanas a origem de seus recursos.
Na mesma época, veio a público um
contrato em que Eduardo Bolsonaro aparecia como produtor-executivo de
"Dark Horse".
O ex-deputado afirmou que investiu US$ 50 mil no projeto e posteriormente recebeu o valor de volta, mas negou que o reembolso tivesse passado pelo fundo que recebeu os recursos ligados a Vorcaro.
Outra investigação apura emendas ligadas à produtora
Outra investigação sob
responsabilidade do ministro Flávio Dino analisa o envio de recursos públicos a
organizações ligadas à proprietária da produtora de "Dark
Horse".
Essa frente começou após a
deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pedir ao STF a apuração do caso. O foco
são R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mario Frias
para entidades relacionadas a Karina Ferreira da Gama.
Entre as entidades estão o
Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC),
presididos por Karina Ferreira da Gama. A Go Up Entertainment não foi alvo dos
mandados de busca.
Mario Frias, que atua como
roteirista e produtor-executivo de "Dark Horse", afirmou ao STF em
maio que as emendas destinadas às organizações não foram enviadas para
financiar a produção cinematográfica.
Em 10 de setembro, PF e
Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a operação Make Up. Foram
cumpridos 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo,
no Rio de Janeiro e no Ceará, autorizados por Flávio Dino.
Mario Frias e Karina Ferreira da
Gama estavam entre os alvos. São investigados possíveis crimes de peculato,
falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes
licitatórios.
Um relatório da PF apontou ainda
coincidência temporal entre movimentações financeiras da Go Up e o repasse das
emendas destinadas por Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil.
Os investigadores levantaram a
suspeita de que recursos públicos possam ter custeado despesas como hospedagem,
refeições e pagamentos a outras produtoras durante o período de produção do
filme.
A PF identificou ainda uma
transferência de R$ 645,4 mil de Mario Frias para a produtora e passou a apurar
a operação.
Flávio Bolsonaro criticou a operação e acusou Flávio Dino de interferência política nas eleições. Também voltou a negar o uso de dinheiro público na produção.
Defesa tentou levar investigação de Dino para Mendonça
A defesa de Flávio Bolsonaro
tentou quatro vezes, entre 3 e 29 de julho, transferir para André Mendonça a
investigação conduzida por Flávio Dino.
Os advogados sustentaram que,
como Mendonça já estava à frente de outras apurações relacionadas ao filme,
deveria ficar também com a investigação sobre emendas parlamentares. G1
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