Luciano Augusto da Cruz nasceu no dia 7 de outubro de 1948, no Sítio Moreno, município de Caraúbas, no Rio Grande do Norte. Filho do saudoso casal João José da Cruz e Dalva de Oliveira Cruz, nasceu e cresceu ligado às raízes simples do homem do campo, carregando desde cedo os valores que, mais tarde, marcariam toda a sua trajetória de vida: simplicidade, trabalho, amizade e compromisso com as pessoas.
Estudou o Ensino Fundamental na Escola Isolada de São Geraldo e, posteriormente, na Escola Estadual Francisco Reinaldo da Costa, instituição que hoje se encontra desativada. Foi nesses primeiros anos de formação que começou a construir sua história, aprendendo, ao lado de sua família e de sua comunidade, os ensinamentos que levaria por toda a vida.
Em 1972, Luciano mudou-se para Caraúbas, depois de casar-se com a professora Maria Djanira de Morais, sua prima. Dessa união nasceram quatro filhas. Três delas, infelizmente, partiram ainda pequenas, deixando uma dor que acompanharia a família para sempre. Permaneceu Patrícia Helena de Morais Cruz, enfermeira, residente em Mossoró-RN.
Na cidade, Luciano iniciou sua trajetória profissional no comércio. Primeiro trabalhou como funcionário e, posteriormente, tornou-se proprietário de uma mercearia no centro de Caraúbas, estabelecimento que permaneceu durante muitos anos como um ponto conhecido da cidade. Foi atrás do balcão que Luciano aprendeu ainda mais sobre as pessoas, suas necessidades, suas dificuldades e seus sonhos. E talvez tenha sido ali, convivendo diariamente com o povo, que começou a nascer o político que mais tarde seria reconhecido por sua proximidade com a população.
Um político nato
Luciano Augusto da Cruz era, como diziam muitos que conviveram com ele, um político nato. Tinha facilidade para conversar, ouvir e estabelecer amizade. Não precisava de formalidades para se aproximar das pessoas. Sua maneira simples de tratar todos, independentemente da condição social, fez com que conquistasse amizades por toda Caraúbas.
Em 1976, ingressou oficialmente na vida pública, elegendo-se vereador pela ARENA — Aliança Renovadora Nacional. Foi o vereador mais votado daquele pleito, alcançando 550 votos, resultado que demonstrava a confiança que já havia conquistado junto à população.
A política, porém, para Luciano, nunca pareceu ser apenas uma questão de mandato. Era, sobretudo, uma forma de estar próximo das pessoas.
Ao longo de sua caminhada pública, construiu uma relação especialmente forte com a classe mais pobre de Caraúbas. Era procurado por gente simples, por famílias que encontravam nele alguém disposto a escutar, conversar e ajudar dentro de suas possibilidades. Essa proximidade não desapareceu quando alcançou os cargos mais importantes da vida pública.
Em 1996, Luciano foi candidato a vice-prefeito de Caraúbas, compondo a chapa encabeçada pelo médico Aguinaldo Pereira da Silva. A chapa venceu a eleição com 5.741 votos.
Em 2000, a mesma composição voltou a disputar a eleição e foi novamente vitoriosa, obtendo 5.392 votos, garantindo mais quatro anos de mandato.
Em novembro de 2001, entretanto, a cidade foi surpreendida pelo falecimento do prefeito Dr. Aguinaldo Pereira da Silva. Diante daquela circunstância, Luciano Augusto da Cruz assumiu a Prefeitura de Caraúbas, permanecendo à frente do município até 31 de dezembro de 2004.
Foi nesse período que muitos caraubenses conheceram ainda mais de perto o homem que havia conquistado seu espaço na política.
Sua casa permanecia de portas abertas. Não havia necessidade de cerimônia para chegar até Luciano. O cidadão simples, o trabalhador, a mãe de família, o agricultor ou qualquer pessoa que precisasse conversar encontrava ali um homem disposto a ouvir.
E talvez uma das maiores marcas de sua passagem pelo poder tenha sido justamente essa: Luciano chegou ao poder, mas o poder não mudou Luciano.
Continuou sendo o mesmo homem simples, acessível e próximo do povo. Não abandonou os amigos antigos, não esqueceu suas origens e não deixou de conversar com aqueles que sempre estiveram ao seu lado.
Para muitos, era essa a sua maior qualidade: ser prefeito sem deixar de ser Luciano.
Nos últimos meses, Luciano vinha enfrentando problemas de saúde. Foram meses de preocupação para familiares, amigos e para todos aqueles que acompanhavam sua luta. Em alguns momentos, houve sinais de melhora, trazendo esperança àqueles que torciam por sua recuperação.
Mas, na madrugada de hoje, 2 de outubro de 2026, Luciano Augusto da Cruz partiu.
A notícia de sua morte deixa uma lacuna na história política e humana de Caraúbas.
Caraúbas não perde apenas um ex-prefeito. Não perde apenas um vereador que um dia foi o mais votado de sua cidade. Caraúbas perde um líder político, um amigo e, acima de tudo, um homem que soube permanecer fiel à sua maneira de ser.
Perde alguém que, quando esteve no poder, não esqueceu aqueles que mais precisavam.
Perde o homem cuja casa tinha as portas abertas.
Perde o político que sabia conversar olhando nos olhos.
Perde o cidadão que fez da simplicidade uma das marcas de sua trajetória.
E, para aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com ele, fica a lembrança de um homem que atravessou décadas da história de Caraúbas sem permitir que os cargos ocupados apagassem sua essência.
Luciano Augusto da Cruz foi vereador, vice-prefeito e prefeito. Mas, para muita gente, será lembrado simplesmente como Luciano: o homem que estava perto, que recebia as pessoas em sua casa e que nunca deixou de tratar o povo com a mesma simplicidade de antes.
Hoje, as portas de sua casa se fecham.
Mas a memória de Luciano permanecerá aberta na lembrança daqueles que o conheceram, especialmente entre os mais humildes, que tantas vezes encontraram nele uma palavra amiga, uma atenção e uma mão estendida.
Que Deus conforte sua família, especialmente sua filha Patrícia Helena, seus familiares e todos os amigos que sofrem com sua partida.
Caraúbas se despede de Luciano Augusto da Cruz com tristeza, mas também com a certeza de que sua história já faz parte da memória de sua terra.
Descanse em paz, Luciano.
Seu nome permanece na história.
Sua amizade permanece na memória.
E o homem simples que nunca fechou as portas para o povo jamais será esquecido.
Por Geraldo Fernandes
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