Os presidentes da Câmara, Hugo
Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se
reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tarde desta
segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Após o resultado de
domingo, que garantiu a Lula um quarto mandato, a expectativa é que os dois
parlamentares tentem consolidar o apoio do governo nos próximos dias.
Motta e Alcolumbre devem
intensificar as articulações com deputados e senadores para buscar a recondução
ao comando das duas Casas do Congresso a partir de fevereiro. Os dois estavam
em Brasília desde domingo, quando acompanharam a apuração dos votos na residência
oficial da Câmara, ao lado de outros parlamentares.
Os presidentes negociam com
partidos e também procuram individualmente os congressistas. Entre os temas que
entram nas conversas estão a distribuição de gabinetes e apartamentos
funcionais, relatorias de projetos, vagas em comissões e na Mesa Diretora, além
da divisão de emendas parlamentares.
Segundo informações do jornal O
Globo, Motta já obteve o apoio de 13 partidos. Além das siglas que compõem
seu bloco de sustentação na Câmara — União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos,
PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade e PRD —, PDT, PSB e PV anunciaram apoio
ao deputado para a eleição do próximo ano.
Nesta terça-feira (27), a bancada
do PT promove um encontro com deputados e parlamentares eleitos que assumirão
os mandatos em fevereiro para discutir questões internas e o possível apoio a
Motta.
Além das negociações partidárias,
o presidente da Câmara deve intensificar o contato individual com os deputados,
especialmente com os novatos. A adesão dos partidos, porém, não garante que
todos os integrantes de suas bancadas votem no atual presidente. Como a votação
é secreta, não há como verificar o voto de cada parlamentar.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes
Cavalcante (RJ), apontado como possível candidato da legenda para enfrentar
Motta, compartilhou em uma lista de transmissão no WhatsApp uma publicação de
um deputado recém-eleito pelo Podemos. Na mensagem, o parlamentar declarou que
não aceita o acordo e que não votará no atual presidente da Câmara.
Disputa no Senado
O PL, por sua vez, tem indicado
que a prioridade da legenda é conquistar a presidência do Senado. Parlamentares
do partido admitem a possibilidade de negociar apoio ao Centrão na disputa pela
Câmara em troca de respaldo a um candidato do PL para comandar a Casa Alta. A
vitória de Lula, porém, pode dificultar essa articulação.
A situação de Alcolumbre é
considerada mais delicada por aliados. O senador viu seu grupo político no
Amapá ser derrotado nas eleições e passou a sofrer pressão de setores da
direita por não avançar com pautas voltadas ao Judiciário, especialmente os pedidos
de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a campanha eleitoral, o
PL exigiu que seus candidatos ao Senado se comprometessem a não votar em
Alcolumbre para a presidência da Casa caso fossem eleitos. Nos bastidores,
aliados do senador afirmam que ele buscava sua “sobrevivência” política na
vitória de Lula.
A articulação de Alcolumbre para
aprovar pautas do pacote eleitoral do governo reforçou sua aproximação com
senadores da base governista. Mesmo diante da ampliação da bancada do PL, que
terá 28 senadores a partir do próximo ano e articula o nome de Rogério Marinho
(PL-RN) para a disputa, o atual presidente tenta demonstrar que mantém
influência sobre o plenário.
Alcolumbre aposta em uma aliança
com senadores do Centrão próximos a ele, do PT e de outras siglas da base
governista, como PSB e PDT. Essa composição poderia reunir 33 parlamentares.
O número supera os 31 senadores
que PL e Novo terão juntos na próxima legislatura e que, conforme o texto da
articulação, rejeitam um acordo com Alcolumbre. Os votos de outras bancadas
ainda estão em disputa: PP, Republicanos, Podemos e PSDB somam 16 parlamentares.
O voto secreto também representa
um obstáculo para o atual presidente do Senado. Mesmo que Alcolumbre feche
acordos com partidos, não há garantia de que todos os senadores dessas legendas
apoiem sua recondução. Com informações do O Globo
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