Advogado Willer Tomaz, amigo do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez pagamentos para retirar da internet
reportagens que o relacionavam ao parlamentar, que é candidato à
Presidência, de acordo com mensagens e documentos apreendidos pela Polícia
Federal (PF).
Willer e Flávio são investigados
em um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de
lavagem de dinheiro. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo relatório da
investigação, a PF encontrou no celular de Willer mensagens enviadas por um
serviço que oferece a remoção de conteúdos negativos da internet. O caso foi
revelado pelo jornal O Globo e confirmado pela TV Globo.
O número registrado no contato
pertence à empresa “Seu Nome Novo de Novo”, que afirma atuar na proteção
da “reputação digital com estratégias para remoção e desindexação de notícias,
processos, imagens, vídeos e links que impactam o seu nome na internet”,
segundo o site da empresa.
Uma planilha encontrada no
material reúne 12 links de reportagens sobre Willer e indica que os
conteúdos foram removidos pela empresa. Entre o material removido estão
reportagens consideradas “prejudiciais à imagem de Willer Tomaz na internet”,
algumas das quais mencionavam o advogado e Flávio Bolsonaro.
Segundo a PF, os elementos
analisados indicam que o advogado teria contratado e pago um terceiro para
retirar ou desindexar esses conteúdos dos resultados de busca do Google.
Entre as notícias listadas na
planilha estavam uma reportagem sobre uma disputa envolvendo uma mansão
milionária que citava Willer como amigo do filho de Bolsonaro e outra sobre
Flávio Bolsonaro, cassinos e operadoras em Las Vegas. O material não está mais
disponível.
As mensagens analisadas pela PF
foram enviadas em outubro de 2025. Nelas, o perfil da empresa informou que
cobraria R$ 1 mil pela remoção de cada link, o que totalizaria R$ 12 mil.
“Entre esse material, foram
identificadas imagens relacionadas a investigações pretéritas, reportagens e
conteúdos potencialmente prejudiciais à sua imagem pública. Nesse contexto, os
elementos analisados indicam, ainda, que o investigado teria contratado e
remunerado um terceiro com a finalidade de promover a remoção ou desindexação
desses conteúdos dos resultados de busca do Google”, aponta o documento.
No entanto, o representante
afirmou que seria dado um desconto porque Willer já havia pago R$ 3 mil pela
remoção de um link que teria voltado a aparecer, totalizando então em R$ 9 mil
o valor a ser pago por Willer. Em nota, a defesa de Willer afirmou que a medida
se refere a uma ação sobre “conteúdos antigos e desatualizados”.
“Willer Tomaz jamais buscou
desvincular sua imagem da de Flávio Bolsonaro, de quem é amigo. Que um
relatório da PF se ocupe disso, sem qualquer relação com o objeto da
investigação, só confirma que se trata de uma pescaria probatória com fins
eleitorais”.
Ivestigação do STF
O STF abriu inquérito para
apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz,
empresas dele e o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). O
ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do inquérito.
A investigação começou na
primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde eram
apurados crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas e a utilização de
casas de apostas no suposto esquema.
A PF gaúcha quebrou o sigilo
telemático de Willer Tomaz e encontrou e-mails que apontavam que Flávio
Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa
Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.
Devido ao foro especial do
senador Flávio, o caso subiu do Rio Grande do Sul para o Supremo em 8 de
outubro. A Procuradoria-Geral da República analisou os indícios e se manifestou
pela abertura da investigação.
Esse é o segundo inquérito no STF
em que Flávio é um dos investigados. O primeiro, sob relatoria do ministro
André Mendonça, foi aberto em julho e apura o financiamento do filme Dark Horse
por Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio e o advogado Willer Tomaz são
amigos e têm afirmado que não têm negócios juntos.
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