A OpenIA, desenvolvedora do
ChatGPT, fez um alerta à Polícia Federal sobre possíveis ameaças ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva identificadas durante o uso da inteligência
artificial por pelo menos dois usuários. Segundo a companhia, a notificação das
autoridades é de praxe quando conversas com a IA indicam "risco iminente e
concreto de que outras pessoas possam sofrer algum dano". A notificação
foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo GLOBO.
O caso também foi comunicado ao
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em atenção ao plano de conformidade que a
empresa apresentou à Corte. A comunicação à PF, por sua vez, foi repassada ao
Ministério da Justiça, no começo do mês, para que decidisse sobre a eventual
abertura de inquéritos sobre os episódios identificados.
No centro do informe feito pela
OpenAI estão diálogos com o ChatGPT em que os usuários manifestam desejos de
agredir pessoas, entre elas o presidente Lula. Em uma das conversas foi enviada
uma pergunta, à inteligência artificial, do que aconteceria com o usuário caso
ele atentasse contra o chefe do Executivo.
No diálogo, o usuário questionou
o que aconteceria se ele “matasse o presidente”. Ainda de acordo com o informe,
uma foto: "o que acontece se eu matar o presidente? quantos anos eu
pegaria?". Ainda de acordo com o informe, o usuário também teria enviado à
IA uma foto de local que "seria bom" para o atentado e revelado uma
situação em que disse ter ido a um ato da campanha de Lula à reeleição. A
informação sobre uma possível rota de fuga também teria sido apresentada à
plataforma. A PF avalia agora se há elementos suficientes para abrir um
inquérito.
Em junho, a Polícia Civil do
Espírito Santo prendeu um homem suspeito de planejar a morte do filho. As
autoridades foram alertadas pela OpenAI após o homem escrever no ChatGPT que
planejava cometer o crime e já havia entrado em contato com um pistoleiro.
O governo Lula tem adotado um
discurso duro sobre ameaças em plataformas. Em agosto, por ordem do presidente,
a advocacia-geral da União apresentou uma ação na Justiça contra o Discord
pedindo uma multa de R$ 500 milhões por dano moral coletivo e que a plataforma
se adeque à legislação brasileira. O processo foi movido após a morte de uma
adolescente de 13 anos em transmissão na plataforma. A Agência Nacional de
Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão de transmissões ao vivo e foram
abertas investigações administrativas e criminais sobre o caso.
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