O prefeito de Tacuru (MS),
Rogério Torquetti (PSDB), afastou temporariamente um servidor municipal que ameaçou envenenar a água consumida por indígenas da
região após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no
domingo (25/10). O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para
investigar.
O nome do servidor não foi
divulgado. A denúncia foi feita por lideranças indígenas nesta terça-feira
(27/10), após a circulação de um áudio com as ameaças em um grupo de WhatsApp.
“Essas pragas do caralho, do
demônio. Tem que por veneno na água, tem que matar essas pragas na água”, diz o
servidor na gravação.
Servidor foi afastado, diz
prefeito
Segundo o prefeito, o áudio
circula desde domingo, dia do segundo turno. A ameaça teria sido direcionada a
moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru.
Em vídeo publicado no Instagram,
Torquetti confirmou o afastamento e informou que será aberto um Processo
Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta. Ele afirmou que o
funcionário atua na área de infraestrutura, com caminhão-caçamba, e não na distribuição de água.
“Esse servidor, um excelente
servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De
antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso
jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor
será afastado”, declarou.
O prefeito também pediu desculpas
pelas declarações.
Torquetti apoiou a candidatura
derrotada do senador Flávio Bolsonaro (PL). Após o resultado da eleição,
publicou uma mensagem defendendo a união da população, independentemente de
origem ou etnia, e afirmou que os moradores de Tacuru são “um só povo, indígenas,
brancos, pardos, negros, quilombolas” e que, encerrada a disputa, “vamos juntos
trabalhar por Tacuru, pelo Mato Grosso do Sul, pelo nosso Brasil”.
Lideranças repudiam ameaça
O cacique Ivan Montiel, líder da
Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, condenou a ameaça e defendeu a responsabilização.
“Eu gostaria de deixar aqui na
condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar este
tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água”,
afirmou.
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