O ex-presidente Santiago Peña foi preso na noite desta
sexta-feira (6/11), após ordem da Justiça. A informação foi divulgada pela
imprensa paraguaia.
Destituído do cargo nesta sexta, Peña foi detido pela
Polícia Nacional em casa, localizada na capital do país, Assunção. A prisão
ocorreu logo após o Senado
paraguaio decidir, por unanimidade, pelo impeachment de Peña.
Segundo a Justiça, foram encontrados indícios de abuso de
confiança e outros crimes praticados por Peña no escândalo bancário que abalou
o Paraguai nesta semana.
O Ministério
Público passou a investigar o agora ex-presidente após denúncia
apresentada por parlamentares da oposição. Eles acusaram Peña de enriquecimento
ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa.
Eleito presidente em 2023, o político de 47 anos foi
acionista de uma empresa ligada ao Ueno
Bank até março de 2025. Depois de o político assumir o governo do
Paraguai, a instituição financeira recebeu grandes volumes de depósitos vindos
de órgãos públicos na casa dos US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões).
O banco foi dissolvido na última terça-feira (3/11), após o
Banco Central do Paraguai (BPC) considerar a instituição insolvente — quando
não existem fundos para honrar compromissos financeiros.
Em meio à crise, Santiago Peña chegou a apresentar renúncia
ao Congresso. O pedido, no entanto, não foi aceito. Com isso, o ex-presidente
foi destituído do cargo por meio de um impeachment, e perdeu a imunidade
política.
Crise no Paraguai
- O
Ueno Bank, instituição financeira digital, teve as operações suspensas em
3 de novembro pelo Banco Central do Paraguai.
- A
autoridade monetária considerou o banco insolvente, ou seja, incapaz de
honrar seus compromissos financeiros, e iniciou um procedimento de
resolução.
- O
Ministério Público paraguaio pediu a abertura de uma investigação criminal
sobre a instituição e a prisão de dirigentes.
- As
apurações envolvem suspeitas sobre a gestão do banco e empréstimos
concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador, que teriam
comprometido o patrimônio da instituição.
- Carlos
Carvallo, presidente do Banco Central desde 2023, renunciou ao cargo.
Antes de assumir a autoridade monetária, ele havia presidido o Ueno Bank.
- Peña
também foi atingido pela crise e se tornou alvo de um pedido de
impeachment.
- O
ex-presidente foi acionista da Ueno Holding, empresa relacionada ao grupo
controlador do banco, até março de 2025.
Peña publica “despedida”
Santiago
Peña publicou nesta sexta-feira (6/11) uma mensagem de “despedida” nas
redes sociais e afirmou que decidiu renunciar ao cargo a fim de evitar novos
danos ao país. Segundo ele, sua permanência na Presidência poderia contribuir
para aumentar a divisão e a instabilidade política.
A postagem foi feita antes do final da sessão do Senado
paraguaio, que decidiu, por unanimidade, aprovar o impeachment de Peña.
Peña alega que apresentou a renúncia para ajudar a devolver a tranquilidade ao país. O agora ex-presidente também pediu união entre os paraguaios para reconstruir as instituições e recuperar a confiança da população.
“Apresentei minha renúncia para evitar mais danos ao país e
contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai. Não quero que minha
presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade
é colocar o país acima do meu destino pessoal”, escreveu.
Na mensagem, Peña também afirmou que deixa o cargo com
gratidão, mas reconheceu a preocupação da população diante da crise.
“Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que hoje esperam
respostas”, declarou.
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