* ‘Aqui não tem raposa’, diz secretário da Agricultura.

“Aqui não tem raposa [cuidando de galinheiro]”, garante Luiz Antonio Nabhan Garcia, ex-presidente da UDR (União Democrática Ruralista), novo secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura e responsável pela demarcação de terras indígenas e quilombolas no Brasil. 

Garcia assumiu a secretaria no dia 1º de janeiro com status de vice-ministro, e afirma que a pasta realizará um pente-fino nos processos referentes à demarcação de terras indígenas nas últimas décadas, revendo decisões se considerar que houve falhas no processo. 

“O que puder ser revisto e passado a limpo, será passado a limpo”, declara. “Existem muitos indícios de [irregularidades] de toda a ordem nas demarcações. Onde há indício, você abre procedimento investigativo”

Fazendeiro com terras em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e líder ruralista, ele refuta as acusações de conflito de interesses. 

“Por que eu sou uma raposa tomando conta do galinheiro? Nunca cometi improbidade administrativa, nunca cometi fraude, nunca desviei recursos. Como servidor, vou exercer meu papel com isenção”, diz, ao ser questionado pela reportagem sobre a comparação feita por críticos da sua nomeação.

Nabhan avalia que é necessário identificar a situação do índio e que há caciques que estão milionários. “Se vê muito cacique para pouco índio. Há situações que serão investigadas, pois há caciques que são milionários, enquanto índios vivem em situação de miséria.”

O argumento é que as áreas indígenas representam quase 14% do território nacional, abrigando 517 mil índios, que representam menos de 0,3% da população. 

O governo, segundo ele, não descarta apoio a um eventual projeto de lei que preveja a exploração de recursos em terras indígenas com pagamento de direitos de exploração a esses povos.

“Dependendo do projeto, nós apoiaríamos”, declarou. 

O secretário também relata que o novo governo já está realizando um pente-fino na Funai. “Existem posições de muitas irregularidades na Funai, que vocês ficarão sabendo”.
Nossa.
Folhapress
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