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* 'Quem quer ganhar sem trabalhar é ele', diz presidente da Associação dos Oficiais da PM após declarações de Styvenson.

"Ele recebe o equivalente à metade do salário de capitão. Mas ele entrou na Justiça para receber o salário integral. A Justiça não concedeu. Aí fica provado que quem quer ganhar sem trabalhar é ele. Ele queria ganhar o equivalente a 30 anos de serviços prestados, quando prestou apenas 15 anos de serviço". A declaração é do coronel Moreira, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar, em resposta ao que foi dito pelo senador Styvenson Valentim, na semana passada, durante um evento político em Parelhas, no interior do Rio Grande do Norte.

Na ocasião, o parlamentar afirmou que os coronéis da PM não “fazem nada” e que “ganham dinheiro fácil”. A fala gerou revolta entre os policiais militares. Em entrevista à TV Tropical, o coronel Moreira apontou também que as declarações não atingiram apenas a instituição, mas também os profissionais que dedicaram suas vidas à corporação. Segundo ele, há um sentimento de desrespeito à história e aos antecessores da PM.

“Ele desrespeita uma instituição de 200 anos, desrespeita todo o mundo que, no passado, fez a Polícia Militar para que ele pudesse entrar nela, fazer uma carreira e através dela chegar ao Senado, porque foi a Polícia Militar que o projetou. Ele desconsidera toda a gestão atual da Polícia Militar”, acrescenta Moreira.

O tenente-coronel Robson Teixeira, comandante do 5º BPM - responsável pelo policiamento na zona Sul de Natal -, reforçou o posicionamento e destacou que o caso já está sendo aplicado juridicamente. A entidade informou que prepara uma ação contra o senador que ainda não se retratou.

Outro ponto levantado pelos oficiais diz respeito à trajetória do parlamentar dentro da corporação. Styvenson integrou a turma de oficiais por cerca de 15 anos na PM do Rio Grande do Norte. O senador foi da mesma turma que o tenente-coronel.

"Fizemos parte da turma dele e sempre constatamos esse grau de egocentrismo, de narcisismo peculiar ao senador. Sem intenção de se enaltercer, ele fere mortalmente uma instituição que trabalha dia e noite em defesa da sociedade. Eu comando o 5º BPM e adoecemos física e mentalmente em defesa da sociedade. É uma afronta para todos que fazem a Polícia Militar", avalia Teixeira.

A associação também relembrou episódios anteriores envolvendo o senador, quando ainda era tenente, em que teria feito críticas a profissionais da própria instituição, como integrantes da operação Lei Seca. Mas o posicionamento vai além.

"Eu fiz parte da comissão de formatura e o senador não cumpriu suas obrigações com seus pares. Então, esses colegas que ele intitulam que ganham dinheiro sem fazer nada, pagaram sua festa de formatura para levar seus familiares. Então, ele não arcou com as obrigações com seus colegas de turma", completa Teixeira.

O caso agora deve avançar para a esfera judicial, enquanto a repercussão segue gerando debates sobre respeito institucional, liberdade de expressão e a relação entre agentes públicos e suas corporações de origem.

Após a declaração de Styvenson, a Polícia Militar já havia se posicionado em repúdio. “Causa estranheza e indignação que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, parte de um membro da reserva da nossa própria corporação”, afirmou em nota.

O documento oficial da PMRN ainda destacou que “o parlamentar ignora a realidade de dedicação extrema, o risco de vida inerente à profissão e a alta complexidade técnica que envolve a segurança pública contemporânea”.

Confira a nota da Polícia Militar do RN na íntegra

​A Polícia Militar do Rio Grande do Norte, instituição centenária que há 192 anos serve e protege o povo potiguar, vem a público manifestar seu profundo lamento e discordância em relação às recentes declarações proferidas pelo Senador Styvenson Valentim. Causa estranhamento e indignação que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, parte de um membro da reserva da nossa própria corporação.

Ao afirmar que "coronéis não fazem nada" e sugerir que o serviço na PM seria um meio de auferir "dinheiro fácil", o parlamentar ignora a realidade de dedicação extrema, o risco de vida inerente à profissão e à alta complexidade técnica que envolve a segurança pública contemporânea.

​A PMRN é um pilar fundamental do Estado e se destaca pelo seu profissionalismo e eficiência, sendo por meio do planejamento estratégico de seus oficiais e da execução brava de seus integrantes que o Rio Grande do Norte tem realizado uma redução constante nos índices de criminalidade. É preciso ressaltar que nossa atuação vai muito além do policiamento ostensivo, abrangendo a gestão de hospitais e centros clínicos na capital e no interior, garantindo atendimento de saúde essencial não apenas à família militar, mas a toda a sociedade. 

Ao longo de nossa liderança histórica, grandes oficiais e praças passaram por nossos quadros, assumindo funções de relevância que moldaram a segurança pública e a administração estadual, além de projetarem o nome do Rio Grande do Norte em missões da Força Nacional e em missões de paz da ONU, onde somos referência em técnica e conduta.

​Reiteramos que, do Soldado ao Coronel, cada integrante desta força tem uma missão específica e um papel fundamental no universo da segurança. O oficialato superior não ocupa cargas de inércia, mas sim funções de alta responsabilidade logística, jurídica e operacional, eventualmente como o alicerce indispensável para que a ponta da linha funcione com precisão e segurança. 

A PMRN permanece inabalável em seu compromisso com a verdade e com a proteção da sociedade, exigindo o respeito que uma instituição de quase dois séculos e seus dedicados servidores merecem.

Alarico José Pessoa Azevedo Junior - Coronel PM

​ Comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte.

Isso num fale o que o gato enterra seu moço.

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