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* Datafolha: Lula abre vantagem sobre Flávio após divulgação da roubalheira com Vorcaro.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22) mostra o presidente Lula (PT) com 47% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 43% em eventual cenário de segundo turno da eleição presidencial de 2026. No levantamento anterior, de 16 de maio, Lula e Flávio apareciam empatados com 45% no segundo turno.

Veja números:

  • Lula: 47% (eram 45% em maio, 45% em abril e 46% em março);
  • Flávio Bolsonaro: 43% (eram 45% em maio, 46% em abril e 43% em março);
  • Não sabe/não respondeu: 2%
  • Em branco: 9%

A pesquisa é a primeira do instituto feita integralmente após a revelação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As mensagens foram reveladas pelo site The Intercept Brasil. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro pediu apoio financeiro a Vorcaro para a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Foram entrevistadas 2.004 pessoas entre os dias 20 e 22 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Além do cenário com Flávio, o instituto também pesquisou o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa ao senador em cenários de 1º turno e 2º turno.

Na primeira pesquisa do Datafolha após a eclosão do caso "Dark Horse" na campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente Lula (PT) ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre o senador pelo PL do Rio na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival.

Há uma semana, Lula estava em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento: 38% a 35%. No cenário do segundo turno, a igualdade em 45% virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.

Na semana passada, o instituto havia divulgado um levantamento cuja maioria das entrevistas havia sido feita antes da revelação de que Flávio havia pedido dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a justificativa de financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente condenado por tentativa de golpe Jair Bolsonaro.

Agora, o Datafolha voltou às ruas de quarta (20) a quinta-feira (21) com o episódio já amplamente conhecido: 64% dos 2.004 entrevistados em 139 cidades disseram ter ouvido falar do caso, com um percentual igual de ouvidos que acham que o senador agiu mal.

No cenário mais provável hoje de primeiro turno, Lula e Flávio seguem isolados à frente. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO, 4%) e Romeu Zema (Novo-MG, 3%) empatam com Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP), ambos com 3%.

ecnicamente no mesmo patamar estão Augusto Cury (Avante, 2%), Rui Costa Pimenta (PCO, 1%), Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) e Aldo Rebelo (DC, 1%), removido da disputa pelo seu partido, que agora fala em indicar o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. O movimento ocorreu após o registro da pesquisa, sob o código BR-07489/2026 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Lula segue em vantagem numa hipotética segunda rodada ante seus outros rivais. Da semana passada para cá, passou de 46% a 48% no embate com Caiado, que ficou em 39%. Contra Zema, teve a mesma variação, enquanto o mineiro oscilou de 40% para 39%.

Cogitada como um nome para substituir Flávio em caso de desistência, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem desempenho semelhante ao do senador num hipotético segundo turno contra Lula. Nesse, ela teria 43%, enquanto o presidente marcaria 48%.

Já na simulação de primeiro turno, ela vai pior do que Flávio, marcando 22% enquanto Lula tem 41%, ainda assim isolados do pelotão de baixo, liderado por Zema com 6%. Hoje, a candidatura Michelle é vista como distante. O ex-presidente e o PL querem que ela dispute o Senado pelo Distrito Federal.

O resultado traduz o primeiro baque na campanha do senador desde que seu nome foi lançado, no fim do ano. Surfando numa onda de más notícias para o governo Lula e sem contestações diretas, Flávio isolou-se no segundo lugar no primeiro turno.

Em abril, superou numericamente o petista pela primeira vez no cenário de segunda rodada. Na aferição da semana passada, a subida havia sido estancada e ambos haviam empatado em 45%.

A situação política de Flávio é delicada. Desde que o caso emergiu, a partir de uma reportagem do Intercept Brasil, ele foi pego mudando de versão várias vezes.

Inicialmente, acusou o site de divulgar fake news, só para depois admitir que havia pedido o dinheiro supostamente para a produção de "Dark Horse" (azarão, em inglês), sobre a vitoriosa campanha de 2018 de Bolsonaro.

Depois, admitiu que algo mais, "um vídeo", poderia aparecer, mas sustentou que não havia tido contato pessoal com o ex-banqueiro. Ligações entre o entorno da película e seu irmão, o deputado cassado Eduardo (PL-SP), apareceram. Na terça (19), o senador admitiu que se encontrou com Vorcaro após ele ter saído da prisão.

O ex-banqueiro, que viu o Master liquidado no ano passado, está no centro de um escândalo estimado em dezenas de bilhões de reais a partir da emissão de títulos podres e sobrevalorização de ativos, envolvendo no processo governos e uma tentativa de compra do banco pelo estatal BRB.

Suas conexões com o mundo político e empresarial estão na mira de investigações da Polícia Federal, e já atingiram outras figuras ligadas a Flávio, como o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira. Sob desconfiança de aliados, o senador trocou de marqueteiro e diz que seguirá na disputa.

Tetra.

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