O deputado federal Sargento
Gonçalves (PL) ultrapassou todos os limites do debate público ao insinuar, em
vídeo publicado neste domingo (21), que facções criminosas estariam
influenciando desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte
(TJRN) no processo de promoção do juiz Henrique Baltazar.
Os questionamentos sobre o caso
são legítimos. O Dr. Henrique Baltazar é o magistrado mais antigo entre os
aptos à vaga aberta em outubro de 2025 e a legislação prevê que a promoção seja
concluída em até 40 dias. Ao longo do processo, no entanto, ocorreram
desdobramentos que levaram ao adiamento da votação da promoção do juiz.
A demora não tem a ver com nenhum
boicote dos magistrados nem com teorias conspiratórias difamatórias, como a
citada pelo Sargento Gonçalves. O caso envolve um Processo Administrativo
Disciplinar (PAD) instaurado contra o magistrado pelo suposto descumprimento de
decisões judiciais superiores, procedimento que resultou posteriormente em um
Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
Na última quarta-feira (17),
quando os desembargadores iriam deliberar sobre a promoção, surgiram fatos
novos relacionados justamente ao procedimento disciplinar que deu origem ao
TAC. Por essa razão, a defesa do juiz recebeu prazo para acessar as informações
e apresentar manifestação antes da continuidade do julgamento.
Pode-se concordar ou discordar da
condução do processo. O próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se
manifestou na última quinta-feira (18), através da conselheira Jaceguara
Dantas, determinando que a presidência do TJRN marcasse, em até 24 horas, uma
nova data para a sessão que analisará a promoção de Henrique Baltazar.
O que não se pode fazer é
insinuar, sem qualquer prova, que desembargadores estejam atuando sob
influência do crime organizado. A insinuação do Sargento Gonçalves é
gravíssima, irresponsável e indefensável.
O TJRN está sujeito a críticas,
cobranças e ao escrutínio público, como qualquer instituição, mas a escolha de
desembargadores é atribuição constitucional e regimental do Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Norte. O Dr. Henrique Baltazar pode ser promovido ou não, mas
essa é uma decisão que cabe aos magistrados.
Defender o nome do juiz, cobrar
celeridade e questionar a demora é legítimo. O que não é legítimo é tentar
constranger o processo por meio de acusações sem provas. Henrique Baltazar
construiu sua trajetória no combate ao crime organizado e conquistou respeito
dentro e fora da magistratura. Justamente por isso, a discussão sobre sua
eventual promoção deve ocorrer com seriedade, transparência e respeito ao
devido processo legal.
Neste episódio, Sargento Gonçalves ultrapassou a fronteira entre a crítica legítima e a acusação irresponsável. Para piorar, ele fez isso sem apresentar uma única prova que sustente uma insinuação tão grave. O parlamentar, repita-se, passou de todos os limites. Com informações do BG
Gonçalves tem feito do seu mandato algo totalmente irresponsável pois atua como um ventrículo do bolsonarismo e não representa o povo potiguar. Esse discurso vazio e sem subsídios apenas comprova que esse parlamentar é maléfico para o processo democrático e merece ser condito nas urnas.
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